‘Só recordo que ele abriu o portão e atirou’, diz Adelino Leal

Ex-vereador levou um tiro no rosto e um no pescoço no dia 29 de junho, na garagem de sua residência, no Parque São Jerônimo


O ex-vereador de Americana Adelino Leal (PT), 60, baleado em junho do ano passado na própria casa, disse nesta quinta-feira que não se lembra exatamente o que aconteceu. “Eu só recordo que ele abriu o portão e atirou, só, mais nada”, contou Leal, que afirmou não ter raiva do atirador. Leal, que foi vereador entre 2009 e 2016, levou um tiro no rosto e um no pescoço no dia 29 de junho, na garagem de sua residência, no Parque São Jerônimo.

O atirador, o pedreiro Roberto Scabim, 49, responde em liberdade. Em agosto, Scabim se apresentou e disse à polícia que os disparos foram acidentais. Ele afirmou que Leal tinha um caso com sua esposa e que foi até a casa do ex-vereador para conversar, mas que o político saiu com uma faca e o ameaçou. Scabim disse que então atirou sem querer.

Leal primeiro disse que não queria falar sobre isso, e logo na sequência afirmou que tem lapsos de memória. “Eu às vezes não recordo direito”. Sobre a relação extraconjugal citada pelo pedreiro, ele não quis responder. O ex-vereador informou que ainda não prestou depoimento à polícia.

Foto: Arquivo / O Liberal
Leal levou um tiro no pescoço e outro no rosto no dia 29 de junho do ano passado

Com dificuldades para falar e paralisia parcial no lado direito do corpo (“dos pés à cabeça”), Leal tem sofrido muito com as dores, principalmente nos braços. “Os dois braços eles doem demais, dói muito, muito”, afirmou o ex-vereador, que também tem dores nas pernas, só que mais moderadas.

Leal anda, mas sua coordenação motora está comprometida. “Eu não tenho força nos braços, não tenho coordenação”. O político, que fez carreira como fotógrafo de eventos e tem uma loja de vasos, ficou internado por 42 dias (ele chegou a ser induzido ao coma). Deixou o hospital em 10 de agosto. Hoje toma seis tipos de remédio por dia, entre eles medicamentos para dores, coordenação e para dormir. Segundo o ex-parlamentar, o médico neurocirurgião que o trata no Hospital Estadual Sumaré disse que a dimensão da sequela só poderá ser aferida daqui a dois anos.

Leal vai todo mês ao médico, e admite que está bastante preocupado com a saúde. Segue à risca as recomendações com a intenção de se recuperar totalmente. “Eu faço tudo que o médico manda”. O fotógrafo, que tem 1,74 m de altura e pesava 76 quilos antes de ser baleado, chegou a bater 48 kg na balança enquanto estava internado. Ele não sabe exatamente seu peso hoje, mas afirma que já recuperou boa parte. “Eu melhorei, estou melhorando, a questão minha são as dores.”

O ex-vereador afirma que, se tiver condições, pretende voltar a exercer alguma atividade política. “Eu gosto muito. Se eu tiver condições”. Leal foi eleito pela primeira vez em 2008, na sua sexta tentativa de conseguir uma cadeira no Legislativo de Americana. Em 2012, foi reeleito com 2.324 votos. Hoje, conta o fotógrafo, passa boa parte do dia na mesma casa em que foi baleado. Leal contou que mora sozinho no local.

DISPAROS

Após balear Leal, o pedreiro fugiu. Trinta e cinco dias depois, se apresentou à polícia e deu a versão de disparos acidentais. Sua defesa afirmou que ele foi equivocadamente instruído a fugir na época. Ele chegou a ter a prisão temporária decretada, mas a decisão foi revogada em função do fato de que ele é réu primário e ainda por causa da predisposição de se apresentar.

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