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Consciência ambiental

Sete pequenas atitudes para ajudar o meio ambiente

Especialistas ressaltam a importância de ações individuais em prol do meio ambiente; LIBERAL ouviu moradores da região que apontam benefícios da sustentabilidade no dia a dia

Por Isabella Holouka

05 jun 2021 às 09:20 • Última atualização 05 jun 2021 às 15:17

Atitudes sustentáveis estão ao alcance de todos e resultam em vantagens para si mesmos e para o meio ambiente. As ações individuais podem não levar a uma real transformação da sociedade em direção à sustentabilidade, mas contribuem para mais consciência ambiental e cobrança do poder público.

“Pequenas ações junto da nossa família, em casa, no trabalho, são fundamentais porque criam a consciência de que nós também somos responsáveis pela qualidade ambiental e de vida”, opina a pesquisadora Lúcia da Costa Ferreira, do Nepam (Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

“Muitas vezes pensamos ‘é tão pouquinho que não vai adiantar nada’, mas uma pessoa que faz isso na própria casa também cobra mais das prefeituras, das câmaras municipais, por leis que sejam sustentáveis. Nós cobramos mais das outras pessoas quando fazemos a nossa parte. Divulgamos um modo de ver o mundo diferente da maneira consumista, que usa o ambiente para a degradação e geração de riqueza, e assim vamos mudando as mentalidades das pessoas”, complementa.

Além das ações individuais, principalmente com a redução no consumo, o associativismo é um caminho apontado por Fábio Ortolano, professor no Senac São Paulo e membro da Associação Cultural, Ambiental e Educacional de Proteção do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Amigos da Gruta, que visa a proteção da Gruta Dainese, em Americana.

“O principal é o compromisso individual. E depois, se engajar em pautas locais. Que os cidadãos olhem para o seu bairro, sua cidade, e identifiquem os lugares de interesse público e coletivo de meio ambiente, se engajando para defender e cobrando do poder público”, afirma.

Valorizando produtos locais e a alimentação mais saudável

Morador de Santa Bárbara d’Oeste, o técnico em informática Daniel Cardoso, de 41 anos, vê na compra de pequenos produtores locais a chance de consumir alimentos mais saudáveis e menos agressivos ao meio ambiente.

“Buscamos uma alternativa que fosse viável, ajudando o pequeno produtor e as opções orgânicas, para tentar se livrar um pouco dos agrotóxicos e dos grandes ‘players’, como supermercados. Com a pandemia, os grandes não correrem risco de quebrar. Mas, no caso dos pequenos, se têm menos 10% do faturamento já é uma grande coisa, pode levar até ao encerramento das atividades”, comenta.

“A primeira vantagem é a qualidade”, diz o técnico em informática. “Você consegue produtos orgânicos, livres de agrotóxicos. Buscamos uma alimentação mais saudável, e ainda ajudamos economicamente os produtores da região ao entorno”, ressalta.

Investindo nos vegetais

Aos 39 anos, o representante comercial americanense Luciano Cia se autodenomina flexitariano, após ter se informado através de documentários sobre as condições em que as carnes são produzidas. Hoje a dieta dele é baseada em vegetais, como frutas e legumes, com ingestão de carne em raras ocasiões.

Luciano Cia tem uma dieta baseada em vegetais – Foto: Arquivo pessoal

O estilo de vida vem ganhando popularidade, assim como o vegetarianismo e o veganismo, especialmente entre aqueles que apoiam a causa animal e ambiental, mas não querem ter restrições, mantendo-se mais flexíveis às ocasiões sociais.

“A questão animal está diretamente relacionada ao meio ambiente e a nós. Se continuarmos nesse consumo desenfreado de carne que temos hoje, veremos ainda mais desmatamento para produção de soja e alimentação de gado”, argumenta Luciano.

“Na minha casa, não compramos mais carne. Não foi difícil, mas precisou de criatividade. Abusamos nos temperos, então as coisas ficam muito mais interessantes”, afirma Luciano.

Por mais organização em prol do bem-estar

O minimalismo da advogada Nancy Mendonça Erdmann Marrocos Almeida, de 41 anos, teve como pontapé um dilema de espaço. Com um quarto inteiro servindo como guarda-roupas, ela precisou se adaptar para utilizar apenas duas portas de um armário quando se mudou para o apartamento em que reside hoje, em Americana.

“Eu tinha mais de 100 pares de sapatos. Comecei a perceber que, quando não usamos, o tempo estraga. Então começou um desapego, das roupas aos utensílios da casa, ao que efetivamente precisávamos”, conta ela.

A advogada Nancy, de 41 anos, moradora de Americana – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

“A consciência do natural, do básico, e do desapego do que é supérfluo vão nos trazendo o que é importante. Hoje, se eu compro uma coisa nova, primeiro que eu tenho que precisar, e eu penso muito para comprar, pelo espaço, financeiro e uso mesmo”, acrescenta ela, que também busca economia no consumo de alimentos e água.

Casada e com quatro crianças em casa, ela conta que a mudança de postura, três anos depois, também é observada nos filhos, que tomaram gosto por doar brinquedos ou roupas que não usam mais, sem serem forçados a isso. Outro ponto positivo, de acordo com ela, é a organização da casa. “O acúmulo traz a desorganização. E o desapego traz a organização e até o bem-estar de enxergar o que você tem”, afirma.

Separar o lixo não é trabalho e traz benefícios

Casada e com dois filhos adolescentes, a analista de qualidade Iracilda Bugari, de 49 anos, conta que separa o lixo produzido pela família em reciclável e orgânico há 18. Ela é a responsável pela tarefa na residência, no Jardim Boer, em Americana, e acredita beneficiar até mesmo os coletores com a iniciativa.

Iracilda, que vive em Americana, é adepta da separação do lixo – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

“Eu tenho um recipiente para o lixo reciclável e outro para o orgânico. Lavo todas as vasilhas para tirar os resíduos, e quando tenho uma quantidade que completa uma sacola, coloco na lixeira. Deixo o saco aberto para os coletores verem que é reciclável “, afirma ela, que também doa óleo de cozinha usado para produção de sabão.

“Não dá trabalho nenhum. São materiais que podem ser reutilizados, para diminuir o consumo de matéria-prima nova. Além de tudo, ajudamos quem trabalha com isso. Vemos muitas pessoas abrindo os lixos, e isso não é bom. Se já está separado, facilita”, conclui.

Liberdade e higiene

Conforto, liberdade e higiene estão entre os motivos que atraíram a psicóloga barbarense Rosana Ruiz, de 27 anos, ao uso de coletor menstrual ao invés dos absorventes descartáveis. Um ano depois, ela também comemora a economia mensal e a diminuição na produção de lixo.

O coletor menstrual é uma espécie de copinho de silicone que é inserido na vagina. Ele precisa ser retirado e lavado a cada 6 a 12 horas; ao fim do ciclo é esterilizado em água fervente. Pode ser reutilizado por até 10 anos, dependendo do fabricante.

Estima-se que uma mulher gere cerca de 200 kg de lixo usando absorventes descartáveis em toda a vida fértil. Os produtos contêm até 90% de plástico em sua composição e, na maioria das vezes, vão parar em aterros e lixões, levando muito tempo para se decompor, segundo informações do Instituto Akatu.

“A gente sempre é acostumado a usar o mais fácil, que tem no mercado e que a nossa mãe ensina a gente a usar. Meu único arrependimento é não ter conhecido e comprado o coletor antes. Foi uma revolução para mim”, afirma.

Vida sem carro: menos gastos e stress

A advogada e moradora de Americana Ana Maria Azenha, de 32 anos, conta que a vida melhorou depois que ela se desfez do carro, que tinha desde os 18 anos. Há cerca de 3 anos, ela faz praticamente todos os trajetos necessários na rotina com motoristas de aplicativos.

Ana Maria, advogada de Americana, passou a circular apenas com motoristas de apps – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

“A primeira vantagem é a econômica. Economizo com o seguro, que é super necessário, o IPVA, multas de trânsito que eu poderia ter”, conta ela que, com a pandemia e a possibilidade de trabalhar em home office, se libertou de vez da necessidade de ter um automóvel próprio.

“Para o meio ambiente, com certeza, é um carro a menos. Me sinto bem porque não estou fazendo mal ou prejudicando. Eu economizo e, ao mesmo tempo, ajudo alguém que está trabalhando. Não fico estressada com o trânsito, e eu acho muito prático”, conta ela, usuária de aplicativos como Uber e 99 Táxi.

Energia solar é economia a longo prazo

Apenas seis meses após a instalação de um sistema de energia solar em casa, o autônomo Paulo Augusto Nascimento, de 33 anos, já sente as vantagens do investimento. Além de aproveitar a energia limpa, ele aponta a economia a longo prazo.

O custo médio mensal da família era de R$ 350 com contas de energia. A compra e instalação dos dez painéis solares foi paga com entrada de R$ 5 mil, mais financiamento de R$ 10 mil.

Hoje a família paga mensalmente R$ 77 à CPFL Energia, que correspondem a uma taxa fixa, mais a parcela do financiamento. Os dois custos, juntos, são equivalentes ao valor que eles já estavam acostumados a pagar.

“É uma coisa nova e pensam que será um gasto a mais, mas, na verdade, é uma substituição, e lá na frente será só lucro”, afirma. “De manhã as placas geram energia, abastecendo a casa, e enviando o excedente para a rede, gerando um crédito. À noite, você puxa de volta a energia excedente da rede. No final, é considerado o quanto você produziu e o quanto você usou. No meu caso, sempre sobra”.

“Na minha casa temos três ar-condicionado, duas geladeiras, então usamos bastante energia. Mas o sol está aí e vamos aproveitar, é legal pensar na utilidade dele. Acabamos não utilizando as tecnologias disponíveis e poluindo sem precisar”, afirma.

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