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Caminhos para Americana

Sem verbas, cultura de Americana fica ‘escondida’

Falta de recursos e estruturas mantêm museu no Casarão e Casa de Cultura fechados em Americana

Por Rodrigo Alonso

09 nov 2020 às 08:05 • Última atualização 14 nov 2020 às 15:13

Carregados de história, o Museu Histórico e Pedagógico Municipal Dr. João da Silva Carrão, o antigo Casarão, e a Casa de Cultura Hermann Müller estão atualmente fechados por conta de problemas estruturais.

Há anos, os dois espaços necessitam de uma reforma, que, por falta de recursos, ainda não foi feita. E esse problema será herdado pelo prefeito que for eleito no dia 15 de novembro. 

O atual secretário de Cultura, Fernando Giuliani, lembra que em 2008, na gestão Erich Hetzl, viabilizou a troca do telhado e dos berais do Casarão. A obra custou cerca de R$ 500 mil e foi possível por meio de uma parceria público-privada.

No entanto, desde então, a prefeitura não conseguiu fazer as outras melhorias que são necessárias. Segundo Giuliani, com exceção do telhado e dos berais, toda a estrutura precisa ser reformada.

O Casarão do Salto Grande, que hoje abriga museu histórico e pedagógico na cidade – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

No caso da Casa Hermann, neste ano, o ProAC (Programa de Ação Cultural) do Estado de São Paulo aprovou a elaboração de um projeto para o restauro do espaço. O serviço, assumido pela OES Engenharia e Construções Ltda. ficou orçado em R$ 369,5 mil.

A reforma em si deve custar entre R$ 2 milhões e R$ 2,3 milhões, de acordo com Giuliani. Quanto ao Casarão, o valor estimado é de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões.

“O valor é alto. Então, as próximas administrações têm de se dedicar a isso”, afirma o secretário, que já tentou pleitear recursos junto ao Ministério do Turismo, ao antigo Ministério das Cidades, ao governo estadual e também em contato com empresários.

“Nós fizemos várias tentativas de orçamento. E, sem o projeto pronto, fica muito difícil conseguir verba”, aponta.

História
O Casarão é um dos edifícios em taipa mais antigos do Estado de São Paulo e fica na antiga Fazenda Salto Grande, que era conhecida por suas plantações de açúcar, café e algodão. O espaço foi construído no início do século 19, às margens dos rios Atibaia e Jaguari.

Hoje, o local abriga o Museu Dr. João da Silva Carrão, que possui um acervo com peças da Revolução Constitucionalista de 1932, da Segunda Guerra Mundial, entre outros objetos. Existem itens, inclusive, que fazem referência à escravidão.

Antes de seu fechamento, o Casarão recebia visitações, principalmente de estudantes. “É muito importante que os jovens, principalmente, conheçam esse passado cruel que nós tivemos, de escravidão”, diz a historiadora Divina Bertalia.

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Fechada para visitação desde novembro de 2019 e para eventos desde agosto de 2018, a Casa Hermann costumava receber manifestações artísticas, como exposições, palestras e shows musicais. Sua construção aconteceu no início do século passado, no Carioba, e tem como referência a arquitetura germânica do mesmo período.

São dezenas de cômodos, incluindo porão e sótão, com pé direito alto e grandes portas e janelas. A casa também possui um mirante com vista para paisagem natural. O restauro tem como objetivo resgatar o modelo arquitetônico e o estilo de vida da época.

Recursos
Outro desafio do próximo prefeito, segundo o secretário Fernando Giuliani, será lidar com a constante queda de arrecadação financeira para a
área da cultura.

“Sempre, para cultura, é uma situação muito complicada, porque nós temos 700 alunos na escola de música, nós temos uma banda, orquestra, e arrecadação cada vez caindo mais. Está ficando mais difícil ter uma verba para investir em outros projetos”, afirma.

Ele aponta que, mesmo assim, a Secretaria de Cultura tem conseguido promover eventos na cidade, inclusive com a ajuda da iniciativa privada.

“Nós trabalhamos o ano inteiro para fazer eventos, projetos, com em torno de R$ 70 mil no ano. É um valor muito baixo. Por isso que sempre fui à procura de parcerias, da iniciativa privada, para fazer até eventos”, conta.

De acordo com Giuliani, na atual gestão, iniciada em 2015, a secretaria realizou ou apoiou 1.523 eventos, com público total de 1,1 milhão pessoas.

“Esses eventos são feitos pela secretaria ou com parceria da secretaria. Tem alguns eventos aqui que foram pessoas que procuraram a banda, a orquestra ou nossos espaços”.

Ele lembra ainda que, nesses últimos cinco anos, a pasta reabriu o Teatro Municipal Lulu Benencase, em 2015, e o OMA (Observatório Municipal de Americana), em 2016. Atualmente, a prefeitura também realiza o restauro da Estação Cultura. As obras já estão adiantadas, diz Giuliani.

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