Sem professora, 12 crianças são dispensadas da aula na Casa da Criança

Situação ocorreu nesta quarta-feira, e tem se repetido, em média, uma vez por semana na rede municipal de ensino


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Professora da tarde estava com pressão alta e apresentou atestado

Doze crianças foram dispensadas da aula na Casa da Criança Curió, no Zanaga, por falta de professor. A situação ocorreu nesta quarta-feira, e tem se repetido, em média, uma vez por semana na rede municipal de ensino. As informações são da própria Prefeitura de Americana.

O caso de ontem aconteceu em uma sala do maternal. As crianças estudam das 7h30 às 16h30 – uma professora atende a turma pela manhã, e outra educadora trabalha à tarde.

A prefeitura informou, por meio de assessoria de imprensa, que a professora da tarde estava com pressão alta e apresentou o atestado ontem. A assessoria informou que a Secretaria da Educação tentou várias professoras para a substituição, mas não havia nenhuma disponível.

Por volta de meio-dia, o autônomo Fábio Pansani,33, recebeu uma ligação da escola para ir buscar a filha. Teve de pedir dispensa do serviço para cuidar da menina, de 4 anos. “Numa dessas, se isso se torna corriqueiro, você acaba até perdendo o emprego”, afirmou. “Tem muito pai e muita mãe que não têm condição, que recebe a ligação em cima da hora e [tem de] vir buscar.”

Segundo a prefeitura, na Curió, foi a primeira fez neste ano que os pais tiveram de buscar os alunos. Fábio diz que foi a segunda ou terceira. A dispensa de alunos é o reflexo extremo da falta de professores em Americana. A prefeitura lançou este ano um processo seletivo simplificado para contratar educadores temporários sem concurso.

O objetivo era justamente suprir essas faltas.

VETO. A Justiça vetou a contratação. O juiz do caso entendeu que, como demitiu professores que estavam em estágio probatório em 2017 (na época, a prefeitura fez os cortes para reduzir o gasto com folha de pagamento, que segundo o governo estava acima do teto legal), o Executivo não pode criar vagas semelhantes por quatro anos, sob pena de contrariar a Constituição.

O promotor que acompanha o caso, Jorge Umberto Aprile Leme, já deu pareceres afirmando que o município poderia revogar as demissões dos probatórios.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora