Sem inseticida, coordenador elenca novas ações contra dengue

Responsável pela Vigilância Ambiental em Americana diz que município vem eliminando criadouros, orientando população e aplicando larvicida


O desabastecimento nacional de inseticida não vai atrapalhar o combate ao mosquito Aedes aegypti, segundo o coordenador Antônio Jorge da Silva Gomes, da Vigilância Ambiental de Americana.

A cidade interrompeu a nebulização esta semana por falta do produto, assim como Nova Odessa e Sumaré. Hortolândia e Santa Bárbara d’Oeste ainda contam com estoque do inseticida.

Jorge Gomes destacou que seguem sendo realizadas outras ações contra o mosquito, como a eliminação dos criadouros, orientações à população e a aplicação de larvicidas, espécie de veneno que mata as larvas. O inseticida fornecido pelo Ministério da Saúde e que está em falta mata apenas o Aedes aegypti na forma adulta.

“A preocupação da população nesse momento tem que ser com eliminar os criadouros e não fazer descarte irregular de materiais”, defendeu o coordenador. “A bem da verdade, o inseticida é a última ação dentro do programa todo de combate à dengue”. Para que haja efetividade nas demais ações, a participação da população é imprescindível, permitindo a entrada dos agentes e seguindo as orientações.

“Às vezes as pessoas dizem assim: minha casa está tudo em ordem, o problema é a casa do vizinho. A casa dela pode não ter problema nenhum, mas eu posso ver alguma coisa e chamar a atenção dela a respeito de um criadouro potencial”, alertou.

Americana vive uma epidemia da doença, com 1357 casos confirmados e cinco mortes suspeitas ligadas à doença. Este já é o terceiro ano com mais casos desde o início da série histórica da Vigilância Epidemiológica, que começa em 2008.

O desabastecimento nacional de inseticida ocorreu por conta de o recolhimento de 105 mil litros de inseticidas após problemas serem identificados.

Doutora em Ciência Biológicas e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, Denise Valle defende que a melhor forma de acabar com a infestação do mosquito é por meio do controle mecânico. “As pessoas confundem controle com uso de inseticida, veem fumacê e ficam aliviadas, mas é uma falsa sensação de segurança”, indicou.

O inseticida consegue matar apenas os mosquitos adultos no momento da aplicação. Não há efeito residual e as larvas seguem crescendo.

A circulação do vírus da dengue ocorre do humano para o mosquito, e vice-versa. Assim, a aplicação do veneno para matar os insetos é indicada seguindo o critério de transmissibilidade – uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a um mosquito por até sete dias, iniciando essa contagem um dia antes dos primeiros sintomas.

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