Seis mil hidrômetros estão ‘vencidos’ em Americana

Desgaste das peças pode fazer com que eles registrem consumo menor do que o utilizado, gerando prejuízo ao DAE; Inmetro prevê troca em até cinco anos


A cidade de Americana tem 6 mil hidrômetros com risco de submedição, acarretando prejuízos financeiros ao DAE (Departamento de Água e Esgoto).

Como esses aparelhos têm mais de cinco anos de uso, sua funcionalidade precisa ser verificada, segundo preconiza uma portaria do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial).

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Adelina: valor subiu após troca de hidrômetro, mas DAE descarta que o motivo seja a substituição

De acordo com a autarquia, o desgaste das peças devido ao tempo de uso pode comprometer a capacidade de aferir corretamente, resultando, na maioria dos casos, em submedição.

Estima-se que em 99% dos casos os aparelhos antigos que apresentam problemas registram um volume menor do que de fato está sendo utilizado.

O DAE informou que o fato de um hidrômetro ter mais que cinco anos não significa que ele obrigatoriamente tenha algum defeito. A troca desses aparelhos na cidade é feita de forma permanente, tanto por funcionários efetivos quanto por empresa terceirizada.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
DAE faz a troca constante dos hidrômetros

Desde 2017, foram substituídos cerca de 45 mil hidrômetros. Questionado sobre qual o prejuízo com a submedição dos aparelhos, o departamento disse que não era possível fazer esse levantamento.
“Além do volume médio de consumo, podem ter ocorrido vazamentos, o que aumenta significativamente uma média”, explicou.

A substituição dos hidrômetros ocorre simultaneamente em diversos bairros. Atualmente, estão sendo trocados nas regiões do Nova Americana, Cordenonsi, Nova Carioba e Jardim Boer. Há também a troca em grandes consumidores espalhados pela cidade.

Aumento

Por conta da submedição, é comum que a troca do hidrômetro seja acompanhada de um encarecimento na conta de água. A aposentada Adelina Giacomini, de 74 anos, mora no Jardim Bela Vista e viu a conta mais do que dobrar entre o final do ano passado e este ano.

Enquanto a família de cinco pessoas pagava entre R$ 70 e R$ 80 por mês até setembro, em outubro ultrapassou os R$ 100. Em fevereiro, esse valor chegou a quase R$ 150. Adelina disse que não houve alteração nos hábitos de consumo.

“Foi depois que trocou o hidrômetro que ficou caro assim. A gente já reclamou, viu que estava vazando, vieram mexer, trocaram de novo, mas continua alta. Fazer o quê, a gente tem que pagar, não dá pra ficar sem água”, reclamou.

Segundo o DAE, o hidrômetro no imóvel foi trocado em julho. As duas primeiras leituras após a substituição mantiveram a média de consumo. A autarquia descartou que o aumento esteja relacionado à troca do aparelho. “Após isso é que houve aumento no consumo, porém, não há protocolo solicitando revisão de contas”, disse.

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