Secretária pede concurso para 75 professores em Americana

Pedido está em análise no jurídico; com processo seletivo barrado, secretária diz que rede está sobrecarregada e profissionais substituem lacunas


A secretária de Educação de Americana, Evelene Ponce Medina, disse nesta sexta-feira que pediu a abertura de concurso público para contratar 75 professores para a rede municipal de ensino. A solicitação foi encaminhada semana passada à Secretaria de Negócios Jurídicos, afirma Evelene, que aguarda um parecer.

A falta de educadores na rede tem sobrecarregado professores que precisam substituir as lacunas e também tem afetado o planejamento, segundo a secretária. Mês passado, o LIBERAL noticiou três casos de classes dispensadas por falta de professor – na ocasião, a prefeitura informou que isso vinha acontecendo uma vez por semana, em média. Evelene diz que os profissionais têm feito ‘das tripas coração’ para evitar as dispensas.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Evelene afirmou que o problema tem afetado o planejamento da secretaria e que supervisores apenas resolvem problemas

“A rede não vai aguentar, eles estão muito cansados. Porque você fala assim: ‘ah, tudo bem, ganha hora extra porque está cobrindo a falta, mas não é fácil para um professor dar conta de dois períodos direto: um dia, outro dia, outro dia”, afirmou.

Segundo a secretária, o problema tem afetado o planejamento. “Supervisores ficam o dia inteiro só resolvendo problema de falta, sendo que era para estar focado em melhorias de educação.”

No começo do ano, a prefeitura abriu um processo seletivo simplificado para contratar 53 professores temporários para substituições, mas a iniciativa foi suspensa pela Justiça – o judiciário entendeu que, como em 2017 o Executivo demitiu educadores em estágio probatório (período de três anos em que o concursado ainda não adquiriu a estabilidade) para cortar gastos com folha, a prefeitura está proibida pela Constituição de criar cargos semelhantes durante quatro anos. O governo argumenta que não está criando novos cargos.

No mês passado, o secretário de Negócios Jurídicos, Alex Niuri, disse ao LIBERAL que a prefeitura poderia abrir concurso, justamente com base neste entendimento de que não está criando novas vagas, apenas substituindo outros profissionais que deixaram a rede após a demissão de probatórios.

Evelene diz que 75 é o número de profissionais que deixaram a educação por aposentadoria ou a pedido, por exemplo (isso não inclui os probatórios). Só neste ano, foram 19. “Eu tenho um monte de gente que pediu exoneração, até que faleceu. Quer dizer, nunca mais vou poder resolver isso? E o direto dos alunos, quem preserva?”.

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