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Retratação

Saúde recua, pede desculpas e dá nova versão sobre paciente que ‘mora’ no HM

Após reportagem, LIBERAL foi procurado por filho de paciente que prefeitura dizia não ter contato com a família

Por Ana Carolina Leal

24 nov 2021 às 07:25 • Última atualização 24 nov 2021 às 08:23

A Secretaria de Saúde de Americana recuou, pediu desculpas e informou nesta terça-feira que houve alguns desencontros de informações sobre o caso do paciente que “mora” no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi.

Após reportagem publicada pelo LIBERAL em 16 de novembro, o filho do paciente fez contato com o jornal contestando as informações passadas pela administração municipal.

De acordo com o setor de serviço social do HM, o paciente, de 55 anos, está internado desde 13 de junho de 2019, quando deu entrada vítima de um atropelamento de trem, portanto está na unidade há dois anos e cinco meses e não há um ano e cinco meses como informado anteriormente.

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A Saúde também voltou atrás e disse que no dia seguinte ao acidente, o hospital conseguiu contato com um sobrinho da vítima e que posteriormente o filho foi localizado. O rapaz passou a visitar o pai e a colaborar com a doação de fraldas e produtos de higiene pessoal.

Inicialmente, a prefeitura havia informado ao LIBERAL que o paciente não tinha documentos pessoais e ainda permanecia no hospital por não possuir residência fixa nem manter contato com nenhum familiar.

“Logo depois do acidente, meus tios, irmãos dele, estiveram no hospital. Mas com a pandemia [da Covid], as visitas foram limitadas e sou o único autorizado a entrar no quarto. Sempre o visito quando entrego as fraldas, produtos de higiene pessoal ou medicamentos. No mínimo de duas a três vezes por mês”, declarou.

O rapaz, que pediu para manter a identidade de ambos em sigilo, afirmou ainda que o pai não é morador de rua. Disse que ele trabalha fazendo calçada de pedra portuguesa. “Ele e minha mãe são separados há anos, sou filho único. Ele tinha a vida, o trabalho dele. É bastante conhecido por alguns trabalhos na região central. Do jeito que saiu, parece que meu pai é um indigente”, afirmou.

O HM informou que o paciente não precisa de cuidados especiais, mas sim de cuidados que envolvem uma pessoa acamada. “Atualmente, o município não dispõe de nenhuma instituição que acolha pessoas que não se enquadram na Lei do Idoso. Portanto, ele [paciente] se encontra em condição de internação social, já que ficou sequelado, não se alimenta sozinho e necessita de banho de leito, além de todos os cuidados pessoais”, traz nota da prefeitura.

A administração informou que atualmente aguarda uma internação em alguma instituição que o acolha prontamente. Afirmou ainda que a licitação aberta em março para contratar um serviço de acolhimento para este paciente continua em trâmite, podendo ser concluída a qualquer momento.

“Por mais que considere desumano ver o meu pai nessas condições, sem ver a luz do sol, não tenho condições físicas nem financeiras de mantê-lo. Sou guia turístico e a situação ficou bem difícil por conta da pandemia. Eu e minha mulher passamos a morar com a minha mãe em uma casa de fundos, alugada, para conter gastos”, declarou o rapaz que tenta junto ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) conseguir uma aposentadoria de invalidez para o pai.

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