Saúde pública de Americana perdeu 100 médicos em dois anos

Após publicação do decreto de calamidade financeira, no mês de outubro, 30 profissionais pediram desligamento da Prefeitura de Americana


Nos últimos dois anos, um grupo de 100 médicos deixou a rede municipal de Saúde de Americana. A estimativa foi dada pelo chefe da pasta, Orestes Camargo Neves, que apontou os problemas financeiros do município entre os possíveis motivos para a “debandada”. Só no período de outubro até agora, quando passou a vigorar o estado de calamidade financeira em toda a prefeitura, 30 profissionais pediram desligamento do poder Executivo.

O secretário não trata todas as perdas como déficit, pois disse que entre estes há médicos que tinham o vínculo com o município suspenso, mas anunciou que o município está em fase de conclusão de processo para contratar cerca de 20 médicos a partir de janeiro. As informações foram dadas durante uma entrevista coletiva sobre o diagnóstico feito na saúde municipal, anunciado nesta manhã (leia nesta página).

“Pelo menos no primeiro momento, 20 são suficientes, até porque temos várias restrições financeiras e não sei se teremos condições de arcar com mais que isso”, disse Orestes. Ele elencou que já estão definidas que, caso aconteçam, as contratações serão de especialidades como cardiologia clínica, neurologia, urologia, cirurgia vascular, otorrinolaringologia, reumatologia, endocrinologia e ortopedia. A contratação de pediatras e dermatologistas também está em estudo.

Foto: Dener Chimeli / O Liberal
Secretário Orestes afirmou que não trata todas as perdas como déficit

Os profissionais seriam contratados por meio de PJ (Pessoas Jurídicas) e o secretário explicou que há um processo de viabilização das contratações em curso. Orestes disse também que é preciso cautela, já que no poder público pode haver alguma modificação das situações econômica e administrativa que alterem esta necessidade.

Além das contratações de profissionais, a reestruturação da rede básica de atendimento também tem a intenção de adaptar a estrutura do município à realidade financeira e de pessoal. Só de médicos, a rede pública municipal tem 119 atualmente, sendo 57 deles da atenção básica.

Também foram cortados 190 contratados por RPA (Recibo de Pagamento de Autônomo) que atuavam na rede e no Hospital Municipal Waldemar Tebaldi. O secretário informou ainda que nenhum deles era médico, mas atuavam como recepcionistas, enfermeiros, assistentes, funcionários de cozinhas, etc.

O secretário da Saúde ainda aproveitou o encontro com a imprensa para negar que pretenda fechar em definitivo a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) São José. O local passou o fim de semana sem funcionar e só reabriu na manhã desta segunda-feira. Orestes relatou que o receio da ausência de pessoal em função da greve dos servidores, além do absenteísmo normal para o local, criou temor em abrir o espaço.

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