Sancetur diz não ter como operar transporte público no prazo

Empresa informou que poderia assumir dez dias depois de assinar a documentação, mas diretor da viação deixou claro que isso não é possível


Em meio ao caos do transporte público de Americana, documentos referentes à contratação emergencial de empresa para assumir o serviço mostram inconsistências. A Sancetur, que venceu a concorrência afirmando ter capacidade de iniciar a operação em dez dias após a assinatura do contrato – que foi feita em 24 de setembro – diz que ainda não possui condições de operar sequer nesta segunda-feira, mais de 40 dias depois do contrato ser assinado.

Enquanto isso, a prefeitura não explica porque o processo de seleção deu prioridade à empresa que promete entrar em operação no prazo mais curto, sendo que o decreto de rompimento do contrato anterior estipulava início da nova contratada somente após mais de 60 dias.

O processo de cotação das empresas para assumir emergencialmente o transporte teve início em agosto. Foram chamadas cinco interessadas, mas somente duas enviaram propostas. O pedido de orçamento tinha dois critérios. O primeiro era a média de idade da frota. Quanto mais nova, mais pontos a empresa recebia. O outro era em relação ao prazo máximo que as concorrentes levariam para assumir o serviço. Quanto mais rápido, mais pontos.

As duas empataram no quesito idade da frota, mas a Sancetur venceu ao informar que tinha condições de atuar na cidade em dez dias após a assinatura do contrato. A concorrente informo depois que só conseguiria em 60 dias. Apesar desse prazo ter sido o fator determinante na seleção, na prática, não teve valia, já que no dia 14 de setembro a prefeitura decretou o rompimento do contrato com a VPT apontando que o início da nova empresa seria em 1° de dezembro, 75 dias depois.

Mesmo com essa previsão de início em 1° de dezembro, o LIBERAL questionou o diretor da Sancetur, Marquinho Chedid, se a empresa teria condições de assumir imediatamente, diante do caos do transporte, e ele disse que não.

“Manifestei dez dias, mas prefeitura estabeleceu um cronograma de funcionamento. Estamos respeitando esse cronograma para motoristas não ficarem sem emprego de um dia para o outro. A prefeitura fez uma concorrência, se precisasse, se a gente teria condições de assumir. Todas as empresas disseram que tinham condições de assumir. Estamos preparando um projeto de emergência, não posso chegar e falar ‘vou botar os ônibus aí’. Pra eu colocar, precisa ter motorista, preciso de motorista que saiba o itinerário, não é assim”, afirmou o diretor.

A Prefeitura de Americana, por sua vez, afirmou que “o início da operação se dará dez dias após a ordem de serviço, conforme previsto”. O relatório de apuração de propostas da Sosu (Secretaria de Obras e Serviços Urbanos), entretanto, diz que o prazo de início começaria a contar após a assinatura do contrato.

O Executivo disse também que o objetivo era fazer a transição sem que houvesse interrupção. “Como houve prévia notificação e ampla comunicação, a expectativa era que a empresa Viação Princesa Tecelã cumprisse com o mínimo de respeito o contrato, uma vez que recebeu 30 dias adiantados de diversas empresas. Em oposição a isso, a empresa passou a criar clima de instabilidade com os trabalhadores”, trouxe a nota.

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