Saída de médico agrava situação em posto do Zanaga

Houve interrupção dos atendimentos domiciliares e só há agenda disponível com um clínico geral a partir de março de 2020 na UBS do bairro americanense


O posto de saúde que atende toda a região do Antônio Zanaga está com a demanda ainda mais sufocada desde a saída de um médico generalista no mês passado. Houve a interrupção dos atendimentos domiciliares e só há agenda disponível com um clínico geral a partir de março do ano que vem. A Prefeitura de Americana reconhece o problema e não dá prazo disponibilizar mais médicos para a unidade.

Com isso, a solução é tentar chegar cedo para conseguir um encaixe às terças-feiras, único dia em que há clínico geral na unidade. A possibilidade é remota, já que só 20 pessoas que fizeram agendamento prévio são atendidas em cada período (manhã e tarde) somente em um dia da semana. Se uma delas faltar, é realizada a troca. Na manhã desta terça-feira (27), nove pessoas aguardavam na fila de espera.

Foto: Leonardo Oliveira / O Liberal
Solução dos pacientes é tentar chegar cedo para conseguir um encaixe às terças-feiras na unidade

Uma delas era a auxiliar administrativo Bianca Santos, de 25 anos. Ela precisava entregar exames que realizou para que o médico avaliasse sua condição clínica.

“Minha consulta foi marcada só para janeiro. Vim tentar encaixe hoje, mas tem um monte de gente na minha frente, não sei se vou conseguir passar”.

A Prefeitura de Americana reconhece que o agendamento ficou comprometido com a saída do profissional e que não há previsão de inclusão de outro médico pois “não há profissionais para serem remanejados”. Diz que a redução do número de profissionais se deve a pedidos de exoneração e aposentadorias.

“O atendimento somente voltará a ser realizado quando for possível a contratação de novos médicos da família e ou generalistas, a prefeitura tem trabalhado com alternativas que possibilitem a reposição destes profissionais”, diz a nota enviada ao LIBERAL.

A balconista Carla Caranha, de 26 anos, foi até o posto nesta terça para levar seu filho tomar vacina. Ela diz ter aderido a um convênio particular para o menino pois não conseguiu agenda quando precisou. “Eu vim para marcar consulta com o pediatra, mas estava demorando mais de dois meses para fazer acompanhamento, aí não adianta”, ressalta.

Além disso, o clínico geral que atenderia durante a tarde está de férias e, conforme apurado pelo LIBERAL, não houve deslocamento de outro profissional para substituí-lo, reduzindo o atendimento.

A unidade de saúde do Zanaga é uma ESF (Estratégia de Saúde da Família) onde funciona a UBS (Unidade Básica de Saúde) 10 e também a 13, que ficava em um outro local do Zanaga mas foi incorporada ao mesmo prédio há cerca de quatro anos. Desta forma, o paciente é atendido pelos profissionais responsáveis da região onde mora.

Como o médico da Área 13 está de férias, seus pacientes não conseguem acompanhamento durante o mês em que ele está afastado. Até existe a possibilidade um encaixe na agenda do profissional da outra área, só que a prioridade é para aqueles que moram nos locais de responsabilidade da UBS 10.

Até dois anos atrás a ESF tinha clínicos gerais em dois períodos, de segunda a sexta, mas o atendimento mudou somente para as terças depois de um médico fixo pediu exoneração em 2017 e outro teve o contrato com o Programa Mais Médicos vencido em julho deste ano.

Dois plantonistas foram realocados, mas como atuam também em outros postos de saúde de Americana, só trabalham no Zanaga em um dia da semana. Além disso, não fazem atendimentos domiciliares, ou seja, aqueles que não conseguem se deslocar até a UBS não passam por consulta desde o mês passado, quando o generalista deixou a rede.

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