Réu confesso da família Tempesta, mecânico vai a júri nove anos após crime

Celso Pereira de Assis confessou ter matado casal e duas filhas em Americana e será julgado nesta quinta-feira


Foto: Arquivo / O Liberal
Celso Pereira de Assis confessou ter matado casal e as duas filhas em Americana

A partir das 9h desta quinta-feira, dia 14, começa a ser escrito o capítulo final de uma das mais macabras histórias de Americana: a chacina da família Tempesta, ocorrida em janeiro de 2009, no Jardim Santana. Após sucessivas tentativas de sua defesa de evitar o julgamento, o mecânico Celso Pereira de Assis terá o destino decidido pelo júri popular.

Robson Tempesta, de 39 anos, e a mulher dele, Ana Paula, então com 33, foram mortos a tiros na casa onde moravam. As filhas do casal, Camila, de 8 anos, e Laura, de apenas 1 ano e meio, foram sequestradas e mortas por asfixia. O prazo longo entre o crime e o júri, de nove anos, não é usual. Casos em que o réu está preso têm prioridade de tramitação no judiciário – Celso teve prisão decretada duas semanas após os assassinatos.

Foto: ARQUIVO PESSOAL
Robson Tempesta, a filha Laura, Ana Paula e Camila, vítimas de chacina em Americana

O andamento do caso, no entanto, foi travado pela única tese apresentada pela defesa: a insanidade do réu, que geraria a absolvição com imposição de uma “medida de segurança”, como o tratamento forçado em um hospital psiquiátrico penal.

Após um laudo controverso, a defesa do mecânico pediu – e obteve junto ao Tribunal de Justiça do Estado – uma ordem para que ele fosse submetido a um novo exame mental. O novo laudo descartou a hipótese de inimputabilidade, o que provocou a decisão de designação do júri e sua transferência para um presídio comum.

Foto: Editoria de arte / O Liberal
Entenda como foi o crime que matou a família Tempesta

Apesar de ter ocorrido em Americana, o caso será julgado em Piracicaba. O “desaforamento”, termo jurídico para a transferência do júri de uma comarca para a outra, foi determinado justamente por conta da repercussão que o caso teve na cidade. O objetivo é manter a isenção dos jurados.

A presidência do julgamento caberá ao titular da Vara do Júri piracicabana, o juiz Luiz Antonio Cunha, que já foi diretor do Fórum de Santa Bárbara d’Oeste. A acusação será desempenhada pelo promotor Luciano Gomes de Queiroz Coutinho, que atua em Piracicaba. Procurado pelo LIBERAL, o representante do Ministério Público afirmou que se manifestará apenas após o julgamento nesta quinta, para não “prejudicar o andamento do caso”.

A defesa de Celso é de João Batista de Lima Resende, advogado que o acompanha desde o início do processo. O profissional não divulga seu telefone no CNA (Cadastro Nacional de Advogados), não autoriza que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Campinas – onde está registrado – informe o número a interessados nem atendeu aos pedidos de entrevista feitos pela reportagem por e-mail.

TRÂMITE DO JULGAMENTO

O julgamento começa com a escolha dos jurados. Serão sete. Após essa fase, começam os depoimentos de testemunhas. Como o processo corre em segredo de Justiça, o LIBERAL não teve acesso aos nomes das pessoas que serão ouvidas em plenário, mas o Código de Processo Penal determina que sejam ouvidas primeiro as de acusação e, sem seguida, as de defesa. O último depoimento é o do próprio réu.
Começam, então, as fases de debates. Acusação e defesa terão até 1h30 cada para apresentarem seus argumentos finais. Se desejarem, podem utilizar mais uma hora para réplica e tréplica. Assim como nos depoimentos, a defesa pode falar por último.

Depois, os jurados se reúnem em uma sala fechada onde votam nos quesitos apresentados. Com o resultado da votação em mãos, o juiz-presidente profere a sentença condenatória ou absolutória (no caso de reconhecida a insanidade).

A CRONOLOGIA DO CRIME

14.jan.2009
O casal Robson e Ana Paula Tempesta e as filhas Camila e Laura são encontrados mortos em Americana e em Elias Fausto

Foto: Reprodução
Capa do LIBERAL de 16 de janeiro de 2009, que trazia manchete sobre a chacina

16.jan.2009
O caso atrai a presença do então secretário estadual da Segurança Pública da época; polícia pede quebra de sigilo telefônico de casal

27.jan.2009
Polícia esclarece os assassinatos e anuncia as prisões do mecânico Celso (foto) e dos funcionários da família Bruno e Fabiane

Foto:
Capa do LIBERAL do dia 28 de janeiro de 2009 noticiava a prisão dos suspeitos do Caso Tempesta

31.jan.2009
Com a ajuda de um dos participantes do crime, Polícia Civil de Americana faz a reconstituição do assassinato

Foto: Paulo Tibério_O Liberal
Bruno Palumbo, um dos condenados pela morte da família Tempesta, participou de reconstituição do crime em 2009

6.dez.2011

Em júri ocorrido em Piracicaba, Bruno e Fabiane são condenados a 16 e 24 anos de prisão, respectivamente

Foto:
Reportagem publicada no LIBERAL, em 7 de dezembro de 2011 noticiava condenação de dupla

13.jun.2014
Uma decisão judicial manda para a internação em um hospital de custódia o mecânico Celso e trava a possibilidade de júri

8.jun.2016
Após recurso da Promotoria, decisão do Tribunal de Justiça publicada em diário oficial manda Celso para júri popular

16.abr.2018
Juiz determina que Celso deixe Hospital de Custódia de Taubaté e seja transferido para presídio comum

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!