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Americana

Restauração da Estação Cultura será entregue na próxima terça-feira

Esse é o primeiro restauro da estação desde sua inauguração, em 1912; detalhes históricos foram preservados

Por Marina Zanaki

25 nov 2021 às 18:23 • Última atualização 25 nov 2021 às 20:22

Secretário de Cultura e Turismo, Fernando Giuliani e Benedito Manoel Nunes Filho, último chefe de estação que trabalhou no local - Foto: Marilia Pierre/Prefeitura de Americana

A restauração da Estação Cultura de Americana será entregue na próxima terça-feira (30), às 9h30. O prédio passa por reformas desde dezembro de 2019, administradas pela Secretaria de Cultura e Turismo e custeadas pela empresa Rumo Logística.

Esse é o primeiro restauro da estação desde sua inauguração, em 1912. A equipe técnica fez um diagnóstico da fachada, prédio, entorno e pesquisa histórica, que guiou a concepção da obra. Detalhes históricos foram preservados e a cor ocre original retornou à paredes do prédio.

A Estação Cultural vai abrigar um museu ferroviário, atendimento ao turista, oficinas e a Casa do Artesão. Além disso, terá a retomada da programação artística, que já está sendo preparada e deve ser divulgada após a reinauguração do espaço.

Secretário de Cultura e Turismo de Americana, Fernando Giuliani esteve no local na manhã desta quinta-feira acompanhando os ajustes finais das obras.

“Sou um apaixonado por ferrovia. Na época do Omar Najar (MDB) conseguimos parceria com a Rumo para bancar esse restauro e tivemos o compromisso do Chico Sardelli (PV) de entregar e fazer essa movimentação acontecer lá”, disse o secretário.

A visita foi acompanhada por Benedito Manoel Nunes Filho, o último chefe de estação que trabalhou no local antes que fosse encerrado o transporte de passageiros.

“A estação é um marco para a cidade, que cresceu em torno da ferrovia. Por isso, deve ser bem cuidada. Americana tinha uma das principais estações do eixo Jundiaí/São José do Rio Preto. Aqui na região, só perdia para a estação de Campinas”, disse Nunes.

Ele trabalhou 28 anos em estações ferroviárias, 13 deles em Americana, onde exerceu a função a partir de 1986. Nesse período de quase três décadas, passou por Nova Odessa, Piracicaba, Americana, Rio Claro e Campinas. Segundo ele, a paixão por ferrovias vem desde a infância, quando frequentava a Estação de Baguaçu, em Pirassununga.

Nunes lembra com saudades dos tempos em que a estação ferroviária de Americana vivia cheia de gente. “O movimento era muito bom; por aqui passavam cerca de 40 mil passageiros por mês, que viajavam para São Paulo e para cidades do interior”, recorda.

A estação ferroviária chegou a ter 16 funcionários, segundo Nunes. “A degradação do setor começou em 1995. Com os planos de privatização, o número de colaboradores foi sendo enxugado e não havia mais condições de oferecer a mesma qualidade dos serviços. Depois foi diminuindo a quantidade de horários disponíveis para as viagens. E tudo isso foi afastando os passageiros. Até que em janeiro de 2001, as viagens de passageiros passaram a ocorrer somente às quartas-feiras e, em março do mesmo ano aconteceu a última viagem”, relembrou.

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O ex-chefe de estação contou que todo sábado, às nove horas da manhã, Campinas disparava um alarme e os relógios de todas as estações desse ramal eram ajustados. “Tinha cidadão que vinha conferir o relógio da estação para ajustar o seu”, disse Nunes.

Para o futuro, ele não acredita no retorno das viagens de passageiros. “Mas acho que há espaço para a implantação de trens turísticos. A história não pode morrer, temos que conservar esse que foi o primeiro meio de transporte. Não podemos depredar”, conclui.

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