Relatórios da Cetesb indicam que áreas contaminadas triplicaram em 13 anos

Documentos mostram que existem 22 locais afetados em Americana atualmente; em 2006 eram apenas seis identificados


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Área da empresa Evonik foi incluída no relatório de 2018; empresa disse que não mede esforços para cumprir exigências

O número de áreas contaminadas triplicou em Americana nos últimos 13 anos. Relatórios da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) mostram que os locais com contaminação ambiental passaram de seis para 22 entre 2006 e 2018. O documento mais recente indica ainda que há 11 áreas que já foram recuperadas.

Os contaminantes identificados variam, passando por metais, solventes, combustíveis automotivos, Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (uma família de compostos com potencial poluente), entre outros. Além disso, investigam se a contaminação está no solo superficial, subsolo, águas superficiais, subterrâneas, sedimentos e ar.

A Cetesb só inclui no relatório os locais com contaminação comprovada. A partir disso, exige do responsável legal a recuperação da área. Em caso de descumprimento, está sujeito a autuação.

O período de recuperação, contudo, varia de acordo com o contaminante, a concentração e a matriz – ou seja, onde ocorreu a contaminação. Para se ter uma noção, das seis áreas que constam no relatório de 2006, apenas metade está em processo de monitoramento para encerramento, considerada a penúltima fase antes da reabilitação. As outras três seguem contaminadas.

Houve apenas duas inclusões no relatório de 2018 em relação a 2017 – uma área da Cal Construtora no Santo Antonio e outra da Evonik na Rua Florindo Cibin. Esta última informou que não mede esforços para atender os requisitos legais e exigências de autoridades. Já a Cal Construtora não comentou o assunto.

Professora do curso de Engenharia Ambiental no Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo) de Americana, Denise Santos da Silva destacou a importância da prevenção, que ocorre por meio do processo para alcançar o licenciamento ambiental. Em relação ao aumento de áreas, ela credita ao aumento na fiscalização.

“Se pensar antigamente, não se tinha tanta preocupação com meio ambiente. Se pensar, por exemplo, em posto de combustível, está tudo enterrado no solo, não está vendo nada. Então esses tanques podiam com o tempo sofrer vazamento e só ia conseguir identificar depois de um certo tempo, podendo causar riscos à saúde humana e ao meio ambiente”, avaliou a especialista, que trabalha na área de contaminação há mais de dez anos e já participou de projetos de remediação de áreas na cidade.

SETOR. Das 22 áreas contaminadas em Americana, 14 são postos de combustíveis. A predominância desses empreendimentos ocorre em todo o Estado de São Paulo e se explica por conta da legislação ambiental, que determina o licenciamento de postos desde os anos 2000.

O Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo) avalia de forma positiva as fiscalizações ao setor. “Apesar de aparecer como a maior fatia das contaminações, é área que de fato faz a remediação desses problemas, reforçando o compromisso socioambiental da revenda. O Sindicato também espera que essa fiscalização se estenda para todos os setores, para que se tenha o real cenário e se faça mais ações visando a sustentabilidade”, finalizou.

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