Redução de subsídio dos vereadores é barrada na Câmara

Argumento dos 11 parlamentares que votaram contra é de que a proposta do vereador Marschelo Meche (PSDB) é 'eleitoreira' e 'populista'


O projeto de redução do subsídio dos vereadores de Americana, de autoria do vereador Marschelo Meche (PSDB), foi derrubado na sessão desta quinta-feira (8). O argumento dos 11 parlamentares que votaram contra é de que a proposta é “eleitoreira” e “populista”. Principal combatente da proposta, o vereador Juninho Dias (MDB) discursou dizendo que a redução do salário iria elitizar o Legislativo, afastando vereadores de origem simples da política. A redução, caso aprovada, só valeria para a próxima Legislatura, em 2021.

O texto original cortava pela metade o subsídio dos vereadores, hoje em R$ 10,3 mil. Ao longo da discussão, ao notar a resistência, Meche mudou para 20% a redução. Ele argumentou dizendo que “vereador não é profissão” e que o valor pago aos parlamentares atualmente é muito superior à média de salário dos americanenses, que conforme o projeto, é de R$ 2,7 mil. A proposta, defendeu, geraria economia de R$ 1,2 milhão aos cofres públicos anualmente.

Foto: Divulgação / Câmara de Americana
Ao fundo, o vereador Juninho Dias fala ao autor do projeto, Marschelo Meche, durante discussão sobre redução dos subsídios

“A redução não desmerece o Poder Legislativo, entendo que o projeto será algo positivo para a câmara, porque mostraria que estamos atentos ao que a população espera. Eu penso que vereador não é profissão, se for, sugiro que coloque ponto eletrônico”, afirmou Meche. Ele disse ainda que a matéria era uma de suas promessas de campanha.

A ideia, entretanto, não fez sucesso. Diversos vereadores defenderam a manutenção do subsídio, alegando que o valor é justo diante do trabalho realizado. Outros defenderam que existem outras formas de cortar gastos públicos, como a diminuição do número de vereadores, corte de gastos com telefonia e combustível. Essa Legislatura, conforme mostrou o LIBERAL, é a mais econômica da década.

Juninho Dias fez discurso intenso no início da discussão. Falou por quase cinco minutos sem interrupções de colegas e deixou o plenário calado.

“É um projeto para enganar a população, porque muitos deles aqui, em vez de pegar dinheiro do bolso pra por gasolina, abastece o carro e deixa a notinha pro pai pagar. Em vez de pagar aluguel pra morar com sua família, pega uma casa do pai para morar. Eu não vou ser hipócrita. Quero conquistar meu eleitor com trabalho, não fazer projeto pra enganar o povo”, afirmou no discurso.

No debate, o presidente Alfredo Ondas (MDB) disse que, com a redução de 50%, o subsídio seria menor que o salário dos chefes de gabinete, e afirmou a matéria poderia canalizar para a Câmara a insatisfação da população com a política nacional. O presidente afirmou ainda que um subsídio baixo faria vereadores terem que ter outro emprego, tornando a atuação na Câmara um “bico”.

Maria Giovana (PC do B) disse que o assunto não deveria ser discutido nesse período e se absteve. Ela defendeu que a redução obrigaria também mudança no horário da sessão, para que vereadores que precisassem ter outro emprego pudessem trabalhar durante o dia.

Além de Meche, votaram a favor Rafael Macris e Thiago Brochi, do PSDB, Welington Rezende (PRP), Vagner Malheiros (PDT) e Padre Sérgio Alvarez (PT).

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