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Notícias que inspiram

Quase centenário, Seu Eutálio faz da barbearia sua vida em Americana

Barbeiro de Americana tem mais de 77 anos de profissão e ainda mantém alguns fregueses ativos até hoje

Por Jucimara Lima

16 Janeiro 2022, às 09h45

Eutálio Chamberlam Marques é um senhorzinho simpático de quase 96 anos de vida e muitas histórias para contar. Apesar de alguns probleminhas de saúde, vive muito bem.

Assinante antigo do LIBERAL, Seu Eutálio não tem celular e não faz questão. “Eu tenho telefone fixo, leio as notícias no LIBERAL e assisto um pouco de televisão”.

Sorriso no rosto, bom papo e disposição conquistam a freguesia de Seu Eutálio – Foto: Claudeci Junior – O Liberal.JPG

Aliás, um de seus segredos para manter a memória ativa é justamente ler e fazer caça-palavras. Nascido em Santa Rosa de Viterbo, na região de Ribeirão Preto, em 12 de fevereiro de 1926, Seu Eutálio é um barbeiro clássico com mais de 77 anos de profissão.

Ainda na adolescência começou a “servir” (verbo que usa para descrever o ofício) em uma barbearia de Descalvado. Seu primeiro trabalho era pegar os chapéus e paletós dos clientes, escovar e depois pendurar no cabideiro, tendo como retorno algumas gorjetas. Aplicado, não demorou muito para aprender a arte e, em 1945, já trabalhava profissionalmente fazendo barba, cabelo e bigode.

Nesse mesmo ano, ele recebeu o convite para deixar Descalvado e vir para Americana para trabalhar em uma barbearia da época, que ficava na Rua 30 de Julho.

A proposta de trabalho interessou o jovem solteiro de 20 anos, que juntou suas coisas e se transferiu para a cidade de onde nunca mais se mudaria. Assim, em 29 de janeiro de 1946, o migrante desembarcava por aqui.

Poucos anos depois, em 1953 se casou com uma americanense, a saudosa dona Rosa Conforto Marques, grande companheira dele ao longo da vida.

Como boa parte da mocidade da época, eles se conheceram nos famosos passeios realizados na Avenida Dr. Antonio Lobo. Pouco depois, se casaram na Igreja Matriz Velha de Santo Antônio com celebração feita pelo monsenhor Nazareno Maggi, de quem ele guarda boas lembranças.

“Até hoje eu não conheço um padre igual a ele. A educação, a receptividade com as pessoas, ele procurava ajudar todo mundo, isto sem falar da nossa igreja que é uma relíquia para cidade e que foi ele quem começou”, elogia.

Junto com Dona Rosa, Eutálio teve duas filhas: Santa Regina Marques e Tania Maria Simões, além de duas netas e um neto.

Como típicas americanenses, suas “meninas” estudaram no Instituto Educacional Presidente Kennedy, algo que também é marcante para ele.

“Americana não pode esquecer do Instituto Kennedy. Foi a melhor escola que a cidade teve e eu acredito que até do Estado de São Paulo”, comenta ele, que viu as filhas se formarem em terapia ocupacional e serviço social.

“Essa profissão depende da gente. Eu, graças a Deus, fiz uma amizade muito grande com minha freguesia. Eu gosto muito, então, me dedico!”

Eutálio Chamberlam Marques

Outras Memórias. O primeiro emprego em Americana durou oito anos. De lá, ele recebeu uma proposta para assumir uma cadeira no salão Santo Antonio que ficava no prédio do emblemático Cine Cacique, onde trabalhou por mais de 42 anos. Nesse período, o barbeiro conta que aos finais de semana chegava a trabalhar até 22h. “Muita gente passou pela minha cadeira naquele lugar. Eu sou do tempo da brilhantina”, brinca.

Falando em produtos e acessórios pertinentes à profissão, Seu Eutálio explica que quando começou não existiam lâminas de qualidade para serem usadas em casa. Por essa razão, os homens, que raramente ficavam com barbas, acabavam frequentando ainda mais as barbearias.

Curiosamente, mesmo sendo um barbeiro tradicional, ele tem o seu próprio barbeiro de confiança. “A gente não consegue cortar o próprio cabelo, faz no máximo um quebra-galho”, justifica.

Consciente de que fez a sua história na profissão, sobre as inúmeras barbearias que surgiram nos últimos anos, ele reflete. “Para mim isso é uma evolução. O sistema de barbeiros difere do de cabeleireiros. Peço para que esses novos sejam felizes e prósperos. Eu já escrevi a minha história. Na verdade, estou trabalhando ainda de teimoso, então, torço, para que as novas gerações levem o legado. Ainda assim, até enquanto eu tiver condições, vou continuar trabalhando, porque eu me sinto bem. Conheci um monte de barbeiro que com cinquenta e poucos anos já desistiam de atuar. Eu aposentei em 1982 e nunca quis parar porque é uma satisfação a gente trabalhar”, finaliza ele, satisfeito.

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