Promotor do caso Richthofen deve trabalhar por supostas vítimas

Roberto Tardelli diz que as chances são boas de fazer parte do time de defesa das pessoas que acusam o padre Leandro de abuso


O ex-promotor de justiça Roberto Tardelli diz que há “chances boas” de passar a integrar o time de defesa das pessoas que acusam o padre Pedro Leandro Ricardo, de Americana, de abuso sexual. Tardelli foi o promotor do caso Suzane von Richthofen – ela e os irmãos Cravinhos foram condenados em 2006 pelo assassinato dos pais da garota. Ele deve bater hoje o martelo e decidir se entra mesmo no caso. Se a decisão for positiva, diz que vai pedir que o Ministério Público acompanhe os passos do inquérito policial.

Tardelli, que se aposentou do Ministério Público em 2014 e hoje trabalha como advogado, esteve nesta quinta-feira em Americana e falou com O LIBERAL por telefone no fim da tarde. Ele diz ter conversado com a advogada Thalita Camargo da Fonseca, defensora de cinco pessoas (todas de Araras) que acusam Leandro, ex-reitor da Basílica Santo Antônio de Pádua, de abuso sexual quando o padre era pároco de uma igreja naquele município. Na época, todos eram menores.

Foto: Reprodução TV Globo
 Ex-promotor disse que se entrar neste caso “vai ser pra valer”

Tardelli, que mora em São Paulo, disse já ter atuado em vários casos de denúncia de abuso sexual. Ele também presidiu uma ONG (Organização Não-Governamental) que atendia crianças vítimas desse tipo de crime. “O caso, do ponto de vista jurídico, é muito instigante, do ponto de vista ético, muito grave.”

Ele conversou com vítimas e disse que os abusos descritos por elas desenham um perfil “clássico” do abusador: alguém com poder sobre as vítimas e que atua, preferencialmente, entre pessoas pobres. “Muitas vezes o abusador não é uma pessoa violenta, ele é antes de mais nada um sedutor”, afirma Tardelli. “Ele tira a vítima de perto da sua família que o protege, leva para um lugar onde ele é absolutamente dominante, e aí ele executa, vamos dizer, o seu plano.”  

O advogado diz que o relato das vítimas é uma narrativa “absolutamente comum” a esse tipo de crime, o que o torna mais crível.

Além de padre Leandro, que é suspeito de abuso, o bispo de Limeira, Dom Vilson Dias de Oliveira, também é alvo da apuração policial por, entre outras coisas, supostamente interferir para coagir testemunhas que poderiam depor contra seu subordinado. Os dois negam os crimes. Dom Vilson já falou em “inimigos e bandidos” e afirma que não teme a verdade. Padre Leandro tem afirmado, por meio de sua defesa, que provará sua inocência.

O advogado diz que, em casos de abuso, o criminoso não age como um “lobo solitário”. “Olha, vou te falar que é impossível você ter uma situação de abuso sexual sem que haja uma acobertamento importante por alguém que teria condições de evitá-lo.”

De acordo com o promotor, faltam detalhes para ele decidir se entra no caso. Ele e a advogada tinham um amigo em comum. “Se a gente entrar vai ser pra valer”, disse Tardelli.

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