Prisão de traficante do Zanaga teve ameaças de resgate

Polícia relatou episódios em relatórios na Justiça após operação que prendeu quatro pessoas em Americana no ano passado; transferência foi cogitada


A prisão do traficante Agripino José Alves Júnior, o Pinóquio, acusado de liderar o comércio de drogas na região do Zanaga, em Americana, teve episódios de tensão, segundo relatórios da Polícia Civil.

Nesta semana, ele foi condenado a nove anos de prisão pela 2ª Vara Criminal de Americana por crimes de tráfico e associação criminosa.

Pinóquio foi preso na manhã do dia 12 de junho em uma casa de alto padrão no bairro Nossa Senhora de Fátima, em Americana.

Na data da operação, ele foi levado para a sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), na Rua Orlando Dei Santi, próximo ao portal de entrada de Americana.

Na ocasião, a delegacia recebeu uma ligação anônima de um possível resgate do traficante. O mesmo ocorreu com a Gama (Guarda Municipal de Americana). A situação fez com que a polícia reforçasse a segurança no prédio da delegacia.

No dia seguinte, durante audiência de custódia, nova ameaça. Desta vez, a tentativa de resgate ocorreria nas dependências do Fórum, na Avenida Brasil, onde a segurança é de responsabilidade da Polícia Militar. O conteúdo narrado em nova denúncia anônima, porém, não se concretizou.

Foto: Arquivo/O Liberal
Polícia relatou ameaça de resgate de Pinóquio durante audiência de custódia no Fórum de Americana

Os episódios fizeram com que a SAP (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária) optasse, por motivos de segurança, pela transferência de Pinóquio do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana.

De acordo com documentos da polícia, o pedido era para que Pinóquio fosse levado à Penitenciária de Presidente Venceslau, onde até fevereiro deste ano permaneciam recolhidos presos acusados de integrar a cúpula do PCC no País. Atualmente, ele está preso no CDP de Capela do Alto.

CONDENAÇÃO

No ano passado, Pinóquio foi acusado de liderar o tráfico de drogas na região do bairro Antonio Zanaga e suspeito de pertencer à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Outros três homens também foram condenados. Todos podem recorrer.

Ele foi preso em junho do ano passado após investigação da Dise de Americana. Na ocasião, foram apreendidas porções de droga, dinheiro e dois carros considerados de alto padrão, um GM Camaro e um Hyundai Veloster, que chamaram a atenção da polícia.

Foto: João Carlos Nascimento/O Liberal
Drogas apreendidas pela polícia durante operação que prendeu suspeitos de tráfico em Americana

Na Justiça, Pinóquio acusa policiais de forjarem sua prisão em represália por querer reduzir o pagamento de propina para a operação de máquinas caça-níqueis. A denúncia está em apuração sigilosa na corregedoria.

De acordo com relatórios da Dise, Pinóquio já aparecia em apurações locais sobre tráfico e crime organizado há anos. Em 2015, foi investigada a relação dele com uma organização criminosa que distribuía droga vinda do Mato Grosso do Sul e do Paraguai em Americana, mas tal conexão não foi comprovada.

Pouco antes, uma investigação do Gaeco, braço do Ministério Público que apura o crime organizado, acusou Pinóquio e mais 16 pessoas de integrarem o PCC na região.

Segundo planilhas apreendidas na cidade de Conchal, em 2014, ele teria sido “batizado” na facção em dezembro de 2012.

A ação do Gaeco, entretanto, não prosperou. Em junho de 2016, Agripino e todos os outros réus foram absolvidos pela 2ª Vara Criminal de Americana por falta de provas.

No ano passado, a Polícia Civil voltou a colocar Pinóquio no alvo de investigações sobre tráfico de drogas. A partir da apuração de 2015 e com base em denúncias anônimas sobre o comércio de drogas na região do Pós-Anhanguera, novas apurações, campanas e acompanhamentos velados foram feitos por investigadores.

O aprofundamento da apuração levou a uma nova conexão de Pinóquio com o PCC. Na hierarquia da facção, Agripino Júnior teria outro apelido: Irmão Cauã.

Uma prisão feita em janeiro de 2017 pela Dise serviu para reforçar a suposta ligação. Na época, anotações apreendidas com um membro do PCC que traficava no Jardim dos Lírios traziam o nome “Kauan” como participante de ações da facção.

Apesar da conexão apontada pela polícia, Pinóquio não foi formalmente acusado de integrar a facção criminosa.

DEFESA

O LIBERAL não conseguiu contato com o advogado que representa Pinóquio na ação da Dise.

Além de suposta retaliação, a defesa diz que a investigação foi clandestina e tem inconsistências, como a falta de relatórios detalhando as campanas ou imagens que mostrem acusados em situação de tráfico. Na sentença, proferida na segunda, a alegação foi desconsiderada.

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