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Campanha

Prefeitura prepara ação contra esmola aos moradores de rua

Objetivo é evitar que o dinheiro doado seja usado para comprar drogas, destino na maioria das vezes, segundo o secretário de Ação Social de Americana

Por George Aravanis

29 set 2019 às 08:36 • Última atualização 29 set 2019 às 09:03

A Secretaria de Ação Social de Americana prepara, em parceria com comerciantes, uma campanha para convencer a população a não dar dinheiro a pedintes na rua. O objetivo é evitar que eles comprem droga
Dos 75 moradores de rua identificados em agosto nas ruas de Americana, 33 (44%) dizem tirar seu sustento da mendicância.

O secretário de Ação Social, Ailton Gonçalves Dias Filho, afirma que, na maioria das vezes, esse é o destino do dinheiro doado.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Dos 75 moradores de rua identificados nas ruas em Americana, 33 dizem se sustentar da mendicância

“Você dá dinheiro pra pessoa na rua e, com certeza quase absoluta, esse dinheiro vai servir pra comprar uma porção de crack, de cocaína”, afirma.

Os números do relatório produzido pela Associação Vinde à Luz, contratada pela prefeitura para abordar moradores de rua, indicam que 68% (51 dos 75) das pessoas encontradas nas ruas da cidade usam entorpecentes ou álcool.

A mendicância na região central foi alvo de reclamação recente em reunião do Conselho Municipal de Segurança. De acordo com o presidente do Conselho, João Miletta, porém, não houve nenhum relato de furto ou atitude criminosa por parte dos moradores de rua. Miletta afirma que a campanha é necessária.
O secretário de Ação Social afirma que várias ações para convencer a população a não dar esmolas foram feitas no passado, mas a população é “muito generosa.

“A gente está mexendo com a crença das pessoas. Mesmo com a campanha, tem aqueles que não conseguem, por motivos religiosos, e acabam dando a esmola”, afirma.

De acordo com o secretário, os moradores de rua comem bem, graças a ações de caridade promovidas no município, como distribuição de alimentos.

“Nós vamos agora fazer uma campanha, fazendo este link. Não dê esmola, porque dando esmola na rua hoje você, com exceções, vai estar ajudando a pessoa a manter a dependência química dela”, diz. Ainda não há data para iniciar a ação.

Marcio Santos, de 40 anos, saiu de casa aos 13 por “causa da droga”. Desde então, mora nas ruas de Americana. Quando o LIBERAL o encontrou, estava debaixo do Viaduto Centenário, sua “residência” há um ano.

Até pede, mas prefere arranjar dinheiro olhando carros ou coletando recicláveis. Hoje, usa crack e não vê possibilidade de voltar a morar debaixo de um teto.

“Eu já fiquei em várias clínicas. Chega lá uma pessoa que era um morador de rua, um usuário de droga, por causa de um molhinho de chave, ele já acha que não é mais um drogado, quer dar ordem pra mim. Não dá certo. Eu não vou pra casa de abrigo, não”, diz.

O relatório produzido pela Vinde à Luz aponta que 64 dos 75 moradores de rua responderam sobre sua forma de sobrevivência. Além dos 33 que citaram a mendicância, outros 18 disseram viver de bicos, seis citaram a reciclagem e sete recebem algum benefício social.

Coordenador do Serviço de Abordagem da Vinde à Luz, o psicólogo Edson Somaio afirmou que, em sua percepção, é a combinação entre drogas e conflitos familiares que leva a maioria deles a essa situação.