Praça do Rolo: um imbróglio no Parque da Liberdade

Dezenas de comerciantes informais se reúnem aos domingos na Praça Arlindo Rocha Filho para negociar e vender suas mercadorias


A Praça Arlindo Rocha Filho, mais conhecida como a “Praça do Rolo”, no bairro Parque da Liberdade, em Americana, está no centro de uma polêmica. De um lado moradores vizinhos que reivindicam a revitalização do espaço. Do outro, dezenas de comerciantes informais que todos os domingos se reúnem ali para negociar e vender suas mercadorias. Entre os dois está o MP (Ministério Público), que instaurou inquérito civil e cobra providências da prefeitura para decidir o desenrolar da história.

Localizada num quarteirão formado por ruas estreitas, a praça foi inaugurada em 1º de maio de 2007 pelo então prefeito Erich Hetzl Junior. Menos de três anos depois começou a sediar a feira e há pelo menos dois os vizinhos brigam para que ela seja revitalizada. Mas para isso, defendem, a feira precisa ser transferida para outro local.

“A praça está completamente abandonada. Conseguimos parceiros para revitalizá-la, mas eles não querem investir enquanto a feira estiver aqui”, diz o presidente da Assoali (Associação Amigos da Liberdade), Aparecido Donizete Parrial.

Segundo ele, a praça recebe perto de três mil pessoas todos os domingos e não oferece estrutura e nem espaço para tanta gente.

“Não somos contra a feira. Todos precisam trabalhar. Mas ela cresceu muito e a praça não comporta mais um evento desse tamanho. Tudo o que é feito aqui para melhorar a praça acaba destruído. Por isso, os parceiros só aceitam revitalizar se a feira mudar de lugar”.

A Assoali acompanhou o LIBERAL em uma visita pela praça. O gramado está sem grama em vários pontos. A quadra coberta virou pombal e vive coberta pelas fezes da ave. Há poucos bancos, as cestas de basquete da quadra descoberta não existem mais e a areia do playground, segundo a Assoali, vive suja e cheia de insetos. Na semana passada havia caixotes de madeira na área cercada, próxima aos brinquedos, que teriam sido deixados ali, segundo a Assoali, pelos comerciantes da feira do rolo.

A praça conta ainda com um quiosque de alvenaria que foi devolvido pelo inquilino à prefeitura, mas ela ainda não deu outra destinação ao local e ele segue abandonado. Há pouco tempo, segundo Parrial, voluntários de uma igreja evangélica do bairro fizeram o paisagismo na faixa de terra entre as duas quadras, mas o trabalho foi destruído, de acordo com ele, pelos frequentadores da feira.

O presidente da Assoali diz que há pelo menos dois anos reivindica providências junto à prefeitura, sem sucesso. “Como a prefeitura não faz nada, fomos atrás de parceiros para conseguir reformar por conta própria. Só que eles dizem que só vão investir depois que a feira deixar a praça e aí fica nesse impasse”, reforça.

Moradores do entorno engrossam o coro a favor da revitalização. A dona de casa Maria de Fátima Rocha é viúva do homem que dá nome à praça. “É uma tristeza ver esse local desse jeito. Tenho netos e eles não podem brincar na praça que leva o nome do avô porque o playground não oferece condições de uso e porque aos domingos é impossível vir aqui”, lamenta.

Transtornos

A falta de manutenção na praça não é o único reflexo da feira. Segundo relatam os moradores, o problema vai além. A dona de casa Aparecida Calil mora próximo ao local e está programando se mudar porque diz não aguentar mais os transtornos aos domingos. Segundo ela, eles começam ainda na madrugada.

“Três horas da manhã e já tem gente chegando. Aí começa a falação, som nos carros e a gente não consegue mais dormir”, relata. Entrar e sair das garagens também é difícil e por várias vezes, informa a moradora, foi preciso guinchar carros estacionados irregularmente. “Uma senhora aqui da rua passou mal e a família só conseguiu sair para levá-la ao hospital depois que o carro que estava em frente à garagem foi guinchado”, disse.

Segundo ela, para evitar situações assim, é comum os moradores do entorno deixarem o carro estacionado na rua em frente da própria garagem, de sábado para domingo, para impedir que motoristas ocupem irregularmente a vaga. “Se meu marido não fizer isso, ele não consegue sair de casa com o carro no domingo cedo para ir trabalhar”, completa.

Moradores citam ainda que o simples ato de trafegar pelas ruas ao redor da praça fica impossível aos domingos em função do número de carros e pedestres circulando pela área. “Os motoristas não respeitam nem o ponto de ônibus”, disse um morador de 82 anos, um dos mais antigos do bairro.

Regularização

Incomodada com os transtornos na Praça Arlindo Rocha Filho, uma moradora – que pediu para não ser identificada – apelou ao Ministério Público. O promotor de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo, Ivan Carneiro Castanheiro, atendeu a representação e instaurou inquérito. Ele definiu 60 dias – a contar do início de abril – para a prefeitura regularizar a feira.

A Feira do Rolo é irregular. Os vendedores do local são informais e não possuem autorização para expor ou vender seus produtos em praça pública. Para isso, dependem de autorização do município. Em reunião realizada no dia 2 de abril com representantes da Associação dos Vendedores Informais de Americana, o promotor expôs a necessidade de regularizarem a situação perante a prefeitura e deu prazo para que providenciem a documentação. Enquanto isso não ocorre, o promotor informa que estão sujeitos a fiscalização municipal e da Gama (Guarda Municipal de Americana).

Segundo o promotor, apenas após o cadastro pela prefeitura é que o alvará poderá ser concedido caso os requisitos legais sejam preenchidos.

O presidente da associação, Adelson Gomes de Oliveira, disse ao promotor que não há venda de produtos piratas no local e que a maioria das transações acontece através de permuta. Ele também garantiu que o som é ligado apenas a partir das 9he, em volume moderado, e que não há interrupção no trânsito. Disse ainda que desde a gestão do ex-prefeito Diego De Nadai tenta a regularização da feira.

A Secretaria de Obras e Serviços Urbanos disse apenas que estuda uma solução e que ela será apresentada ao promotor dentro do prazo. A prefeitura não antecipou se vai regularizar a feira ou se estuda um novo local.

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