Posto de saúde do Zanaga orienta pacientes a voltar em outro turno

Unidade teve apenas um médico atendendo ao longo do dia, pois a segunda profissional está de férias


O PA (Pronto Atendimento) do Antonio Zanaga, em Americana, sofreu com falta de médicos nesta terça-feira e priorizou os casos urgentes. Segundo relatos de pacientes, a coordenação da unidade chegou a pedir que quem não estivesse “tão mal” retornasse após às 19 horas, quando ocorre a troca de turno e o atendimento seria feito por dois médicos.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Pacientes reclamaram da situação e prefeitura informou que não conseguiu outro profissional para cobertura do plantão

A orientação foi dada considerando o “bom senso”, de acordo com a coordenação. A prefeitura explicou que a médica que atende no PA às terças-feiras está de férias e a coordenação da unidade não conseguiu outro profissional para cobertura do plantão.

Com isso, somente um médico – que se atrasou para o turno, chegando às 9 horas e não às 7 como deveria – realizou os atendimentos ao longo do dia. No dia 7 de maio, a unidade passou por situação semelhante com falta de médico e atendimento restrito.

A aposentada Vilma de Fatima Celestino, de 56 anos, chegou às 11 horas no posto. A unidade estava lotada e ela soube que o único médico que estava atendendo havia chegado há pouco tempo. Até as 14 horas sua filha não havia recebido atendimento. “Dizem [na recepção] que só tem um médico e que se quiser ir embora pode ir”, reclamou a aposentada.

A balconista Carolina Ulloa, de 39 anos, estava fazendo a ficha quando ouviu a orientação dada pelo coordenador aos pacientes no local.

“Teve alguns [pacientes] que entenderam, outros que não. Porque também ficar aqui horas esperando cansa, e você fica mais doente. Entendo que está tendo epidemia de dengue e crise na saúde, mas eles têm que ter mais consideração, se está tendo esse problema não deixar só dois médicos de plantão, deixar três”, sugeriu.

“Tinha gente que não estava bem, mas preferiu voltar à noite. Como estou no horário de trabalho tenho que ficar. Como tinha muita gente, não tinha nem espaço, tinha gente em pé, para todo lado, mas foram embora. Não está brincadeira isso aqui”, reclamou a atendente de loja Joice Fagundes, de 34 anos.

Questionada sobre a orientação dada a pacientes para que retornassem mais tarde, a coordenação da unidade alegou que “agiu com bom senso, esclarecendo que os casos não considerados urgentes poderiam retornar em horário em que haveria dois médicos na unidade”. O atendimento foi normalizado no período noturno.

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