Polícia investiga seis em esquema de adulteração de combustível

Liberdade provisória foi concedida aos réus na tarde desta quarta-feira depois de pagamento de fiança; entenda como funcionava o esquema


Seis pessoas são investigadas no esquema de comércio ilegal e adulteração de combustíveis descoberto pela PM (Polícia Militar) nesta terça-feira, em Americana. Entre os envolvidos, estão os acusados de serem os responsáveis pela compra e venda de combustíveis.

Durante o flagrante foram presos um motorista de uma rede de postos de combustíveis de Santa Bárbara d’Oeste, que desviava o itinerário para vender parte da gasolina “por fora”, e o funcionário que retirava e pagava o material dentro da chácara onde a comercialização acontecia.

Foi concedida aos réus a liberdade provisória na tarde desta quarta-feira após o pagamento de fiança no valor de um salário-mínimo e a imposição de medidas cautelares como, por exemplo, o recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga.

Foto: Guilherme Magnin / O Liberal
Motorista chegou a confessar que desviava o itinerário para vender parte da gasolina “por fora”

O esquema teria como “cabeça” um autônomo de 51 anos e seu filho, um empresário de 23, que afirmou estar em andamento um processo de regularização da estrutura, localizada no bairro Monte Verde – a advogada dele não atendeu aos telefonemas da reportagem nesta quarta.

O empresário acrescentou ainda que a sociedade com o pai começou com um depósito de materiais de construção, mas foi migrada para o armazenamento de combustíveis em geral e, depois, adotado o ramo de terraplanagem.

Na chácara, eram adquiridos “combustíveis diversos” de interessados em vendê-los e, depois, repassados a preços mais baixos do que os praticados no mercado regulamentado para abastecer caminhões que por lá apareciam, segundo relato do vigilante do local mencionado em boletim de ocorrência.

Um motorista de 34 anos, que presta serviços para um posto de Americana, também foi flagrado na venda de combustíveis. Foram 60 litros de etanol repassados por R$ 80 – ele disse, porém, que a quantia se tratava de uma sobra no duto condutor do caminhão, e não de um desvio.

Já no caso do condutor da rede de postos de Santa Bárbara, a adulteração acontecia com a ajuda de um funcionário da Petrobras Distribuidora de Paulínia, que deixava de colocar o lacre no tanque durante o abastecimento para receber R$ 100 a cada transação – as informações foram passadas pelo próprio motorista ao delegado responsável.

A estatal afirmou ao LIBERAL que “está pronta para colaborar com as investigações e vai buscar mais informações sobre o caso junto às autoridades responsáveis”. Além deles, também é investigado um condutor de 45 anos que confessou ter comprado 400 litros de óleo diesel por R$ 3,25 o litro.

Ainda foram flagrados na chácara um ajudante de 24 anos, que fugiu da abordagem, e um engenheiro florestal – o advogado Luiz Roberto dos Santos, que o representa, afirma que seu cliente foi contratado para regularizar uma “situação relacionada a um tanque externo” e que o profissional teria intermediado a obtenção de um laudo na Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

Um inquérito policial foi instaurado pela Polícia Civil para apurar as denúncias – estão previstas novas oitivas dos seis investigados dentro do prazo de 10 dias, de acordo com o delegado

Vítima

O gerente dos postos em Santa Bárbara d’Oeste que receberiam a gasolina adulterada diz ser vítima da conduta do motorista da rede, que vendeu parte do combustível em uma chácara do bairro Monte Verde, em Americana. Em entrevista ao LIBERAL na manhã desta quarta-feira, ele disse que não sabia do esquema.

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