Plano de manejo promete atacar diversas frentes contra aguapés

Ações sugeridas por especialista contratado pela CPFL Renováveis podem ser adotadas em determinados períodos do ano e diferentes contextos


Iniciado em janeiro, o plano de ações de manejo das macrófitas presentes na Represa do Salto Grande, em Americana, está na fase final de elaboração e deve ser apresentado pela empresa contratada pela CPFL Renováveis em janeiro de 2019. O estudo é de autoria do especialista Robinson Antonio Pitelli e terá diversas frentes de ação para diminuir a quantidade de aguapés do reservatório e, aos poucos, melhorar a qualidade da água.

Referência no assunto, Pitelli é professor titular aposentado da Unesp e tem pós-doutorado pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Ele já atuou na recuperação de diversas represas em todo o País e foi contratado pela concessionária com a missão de tornar efetivas as ações de combate à proliferação excessiva das plantas aquáticas. Nesta terça, em visita ao LIBERAL, ele adiantou alguns dos passos do plano de ações.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Robinson Pitelli (à dir.) em entrevista ao LIBERAL

Um dos pontos será a retomada da remoção mecânica, que, segundo o especialista, sozinha, não dá conta. Ao longo dos anos, essa foi a medida adotada, mas era como se a empresa estivesse “enxugando gelo”, já que o volume retirado era o mesmo que crescia mensalmente. Junto dessa ação, portanto, há pelo menos mais duas.

“Já podemos adiantar que serão integradas as medidas, como melhoria da qualidade da água por meio de um melhor uso da área do minipantanal, e a remoção mecânica, com uso sustentável da biomassa da planta, complementado com o vertimento controlado, em pequenas quantidades”, explicou.

O vertimento pela comporta de superfície, segundo o professor, deve ser feito em pequenas quantidades para que o sistema se adapte. A ideia é liberar pela comporta de meio a um hectare por dia, com monitoramento da qualidade da água do Rio Piracicaba, para onde as plantas irão, a fim de identificar a quantidade mais indicada de plantas.

O monitoramento também deve indicar a quantidade de aguapés a serem retirados mecanicamente, já que as plantas têm função de tratar a qualidade da água e não podem ser removidas por completo. Haverá medições para apontar a quantidade ideal em busca do equilíbrio.

De acordo com Pitelli, o plano elenca outras ações, que podem ser adotadas em determinados períodos do ano e diferentes cenários.

Mesmo não contribuindo para o aspecto estético da Represa do Salto Grande, os aguapés são necessários para o reservatório, segundo a análise do especialista Robinson Pitelli. Ele explicou que as plantas, na quantidade adequada, contribuem para o tratamento do esgoto e poluentes presentes na água.

“O aguapé está crescendo devido ao excesso de nutrientes. À medida que ele cresce e absorve esses nutrientes, os retira da água. Então, a água que desce para o Rio Piracicaba desce com quantidade menor de nutrientes, mais limpa. Não se prevê em plano de manejo nenhum a remoção completa dessas plantas. O que se vai avaliar é qual é a população mínima para atender essa função de remoção”, explicou.

O gerente de Meio Ambiente da CPFL Renováveis, Daniel Daibert, definiu uma remoção completa como “desserviço”. “Isso poderia gerar um problema de crescimento de bactérias na água, que prejudicaria o abastecimento”, disse.

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