Piloto preso abastecia em Americana para buscar drogas

Investigação revela que local foi usado 'diversas vezes', de acordo com a Dise de São Bernardo do Campo


Felipe Ramos Morais, suspeito de participar da emboscada que resultou na morte de Gegê do Mangue e Paca, líderes do PCC, pilotava um helicóptero que pousou no aeroporto de Americana “diversas vezes”, segundo a polícia. A informação é da Dise (Delegacia de Investigações de Entorpecentes) de São Bernardo do Campo, que suspeita que o helicóptero abastecia no local para depois buscar drogas. Morais, de 31 anos, foi preso na segunda-feira, em Caldas Novas, em Goiás.

A RPT (Região do Polo Têxtil) tem sido notícia como rota do tráfico aéreo de drogas. No mês passado, um helicóptero e um avião foram apreendidos no aeroporto de Americana por suspeita de lavagem de dinheiro. Foi um desdobramento da apreensão de 458 kg de cocaína em Carauari, no Amazonas, em abril. O avião apreendido naquela Estado estava registrado no nome de uma empresa que tem, ao menos no papel, sede em Americana – o endereço declarado pela firma não existe, como mostrou O LIBERAL.

Em março, um avião cujo dono declarou moradia em Nova Odessa foi interceptado no Mato Grosso com 500 quilos de cocaína.

Foto: Divulgação
Felipe Ramos Morais é suspeito de participar da emboscada que resultou na morte de líderes do PCC

O helicóptero utilizado por Morais e que pousava em Americana foi apreendido no mês passado pela Dise, de São Bernardo do Campo em Arujá, na Grande São Paulo. Havia vestígios de cocaína na aeronave. Três pilotos foram presos. No diário de bordo, assinado por Morais a partir de agosto de 2017, segundo a polícia, ficou constatado que as paradas em Americana eram frequentes – nem sempre era ele que pilotava.

Antes de ser apreendido numa oficina de manutenção em Arujá, inclusive, o helicóptero havia passado por Americana. “Ele passava aí pra abastecer”, afirma Carlos César Alves, chefe de investigação da Dise. “Tem vários hangares que são exatamente pra isso (abastecer). São hangares legalizados. Ele passava pra abastecer e ia embora”, afirma Cesar Alves, chefe de investigação da Dise. A polícia suspeita que o helicóptero fosse usado para trazer drogas da Bolívia para São Paulo.

Quando parava em Americana, nunca havia drogas na aeronave, de acordo com a Dise. Esses pousos, com o avião carregado de entorpecentes, eram feitos em locais clandestinos. “Eram outros locais que estamos investigando, como chácaras”, afirma Alves.

Morais estava foragido desde fevereiro, quando ocorreram as mortes de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê, e Fabiano Alves de Souza, o Paca. Ele é suspeito de pilotar o helicóptero que levou os dois a uma reserva indígena em Aquiraz, no Ceará, onde foram executados. O piloto foi encontrado numa casa de luxo em Caldas Novas e portava um documento falso.

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