‘Perdão pelos meus erros, caso os tenha cometido’, diz Paulo Chocolate

Prefeito interino de Americana no turbulento ano de 2014, o polêmico ex-vereador por três mandatos hoje evita exposição e trabalha como representante


Prefeito interino de Americana em 2014, Paulo Sérgio Vieira Neves, o Paulo Chocolate (PR), não quer saber de exposição. Pouco afeito a redes sociais, o ex-vereador por três mandatos não atualiza sua página no Facebook desde 2016, ano em que não conseguiu se reeleger para o Legislativo.

Já no Instagram, Chocolate posta algumas fotos, a maioria em momentos pessoais, sem legendas, e sem conotação política. “Minha vida é particular e não pública”, justificou o ex-vereador de Americana.

Além de todos os problemas quando assumiu a prefeitura após a cassação de Diego De Nadai (sem partido), Chocolate também foi responsável por novas “polêmicas”. Uma das mais emblemáticas foi o gasto com as placas que tinham os dizeres “Essa Cidade Pertence ao Senhor Jesus Cristo”. Na época, a prefeitura não pagou a empresa responsável pelo serviço. Com isso, Chocolate acabou processado pela gestão Omar Najar (MDB), que teve de assumir a dívida.

O LIBERAL entrou em contato com Chocolate para solicitar uma entrevista por telefone, mas o pedido foi negado. Aceitou responder pelo WhatsApp. Algumas das respostas foram reencaminhadas por ele, que manteve contato com seu advogado durante o contato com a reportagem.

Foto: Divulgação
Paulo Chocolate não quer saber de exposição

Entre o primeiro contato até a tentativa de agendamento de uma foto para esta entrevista foram quatro dias, quando Chocolate disse que não seria possível porque estava em viagem. Ao final da entrevista, a reportagem voltou a pedir uma conversa por telefone para esclarecer algumas respostas, mas novamente o contato direto foi negado. “Entrevista somente por escrito”, disse Chocolate, hoje representante comercial.

Apesar de ser o segundo suplente de vereador do PR na Câmara de Americana, Chocolate praticamente não participa das discussões de seu partido. Evangélico, citou Deus em diversas respostas e pediu perdão pelos erros “caso tenha cometido”.

O senhor se elegeu vereador em 2004, 2008 e 2012, mas não conseguiu se reeleger no pleito de 2016. Você acredita que a passagem conturbada pela prefeitura influenciou? Houve muita rejeição ao seu nome por conta de todo o imbróglio?

Me elegi em 2004, 2008 e 2012, três mandatos de vereador, e de uma hora para outra fui obrigado por lei a exercer o cargo de prefeito, e quando qualquer um está na cadeira não é absoluto. É claro que você não consegue agradar a todos, ninguém é unânime. A rejeição era natural diante das circunstâncias do momento.

Como você avalia o seu desempenho enquanto prefeito? Alguns episódios, como as placas de Jesus Cristo, foram muito criticados. Acha que podia ter feito algo diferente?

Fiz o que eu pude, paguei os fornecedores da prefeitura e principalmente nossos guerreiros servidores. E com relação à placa de Jesus Cristo eu faria de novo, pois devemos nossa vida a ele e sou temente. E que sempre abençoe nossa amada Americana.

Como tem sido a vida longe dos cargos públicos? O que o senhor tem priorizado do ponto de vista profissional?

Eu vim de baixo e não vejo problema algum. Sempre fui representante comercial da Bombril, da Nestlé… tenho um passado de luta e glória e priorizo hoje e sempre me capacitar profissionalmente.

Você trabalha com o que atualmente? Continua morando em Americana?

Sou representante comercial, sempre morei em Americana. Hoje minha vida é particular e não pública.

Essa sensação de distanciamento do senhor da vida política parece se refletir também nas redes sociais. Suas páginas no Facebook não são atualizadas há alguns anos, e o Instagram tem fotos em geral de momentos mais pessoais, sem legendas. Tem procurado evitar exposição?

Não me pauto por essa vida virtual, mas sim ao meu refrigério Jesus Cristo, minha família e amigos.

As redes sociais têm sido mecanismos importantes usados pelos políticos para divulgar suas ideias e projetos. Acha que seria necessário se adaptar a isso, caso volte para a vida pública?

Na minha opinião as redes sociais são uma faca de dois gumes e se um dia eu voltar pensarei a respeito sobre essa “adaptação”.

O senhor é segundo suplente do PR na Câmara de Americana, atrás de Adilson Pereira. Você tem participado das discussões do partido, dialogado com o (vereador) Odir Demarchi, ou o contato é limitado?

Odir é meu amigo e um excelente vereador. Caso surja alguma oportunidade estarei à disposição para dar meu melhor a nossa cidade, que na minha opinião o prefeito Omar Najar está lutando e ajustando a casa. Só quem foi prefeito sabe que não é fácil e Omar se mostra muito capaz.

O senhor estuda a possibilidade de concorrer a algum cargo eletivo na eleição em 2020? Qual seria sua motivação para voltar a vida política?

É cedo para pensar em eleição. Temos que orientar nossas autoridades e ajudar nossa Americana estando ou não em cargo eletivo. Tenho convites de vários partidos, o que me deixa feliz. Vamos estudando e torcendo por Americana e nosso País. E o que me motiva é que o poder sempre tem que ser trocado, essa oxigenação do poder é importante para a democracia.

Além da política, quais são seus planos para o futuro?

Amar ao nosso senhor Jesus Cristo sobre todas as coisas e nada nessa vida acontece sem a vontade do Pai. E aproveito este espaço deste tão conceituado jornal para pedir perdão em público pelos erros meus, caso tenha cometido.

O (ex-prefeito) Diego De Nadai afirmou recentemente ao LIBERAL que advogados estão estudando um modo de viabilizar a candidatura dele para prefeito. Como você analisa isso?

Com relação da candidatura de Diego, cabe a mim como um bom democrata respeitar a voz das urnas seja qual for o resultado.

Em 2015 o senhor teve de se afastar da Câmara para uma cirurgia. Qual era exatamente a operação? Atualmente essa situação está controlada? A saúde vai bem?

Em 2015 passei por um problema de saúde, fiz uma cirurgia e estou bem graças a Deus.

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