Participação de jovem eleitor será menor em Americana

Número de eleitores entre 16 e 17 anos, que são desobrigados de votar, tem queda de 22% em relação às eleições de 2014 na cidade


O número de eleitores de 16 e 17 anos em Americana despencou em junho de 2018, em comparação com o mesmo mês de 2014, último ano em que houve eleição presidencial. A queda é de 22,3%. Especialistas e dirigente partidário apontam a hipótese de decepção com a política e até a infantilização dos jovens.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Denis completa 18 este ano e quer “ajudar o país”

Antes dos 18, ninguém é obrigado a votar. A redução do número de jovens eleitores em Americana é maior que no Brasil (13,4% entre 2014 e 2018) e no Estado (21,5%). A queda em relação à última eleição, em 2016, é menor: 19,3%.

Ingrid Gabriele, de 17 anos, não vai votar. “Eu não tenho interesse”, diz a estudante, que não sabe exatamente o motivo. Ela diz que, entre as amigas, o sentimento é o mesmo. “Ainda não tiraram o título de eleitor e também não pretendem votar.”

A socióloga Walquiria Gertrudes Domingos Leão Rêgo, professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), acha que o jovem está infantilizado e, por isso, distanciado da política.

“Tenho impressão que essa faixa é bastante alienada”, afirma. “Esses meninos passam o dia todo jogando videogame, se relacionam via Internet”, afirma a professora, que deixa claro que não fez estudos sobre o tema e que falava por “palpite”. Ela acha que as escolas, de modo geral, não têm colaborado, porque é raro que coloquem temas públicos em discussão.

Bruno William Speck, doutor em ciências políticas e professor da USP (Universidade de São Paulo), também diz que a primeira hipótese para interpretar os números é a de decepção com a política. “A tese mais imediata é essa”, diz.

Em junho, o número de jovens de 16 e 17 anos representava 0,57% do total do eleitorado de Americana, queda de 25% em relação a junho de 2014, quando essa fatia correspondia a 0,76% do total.

Há 26 anos, os jovens representavam uma parcela bem maior do eleitorado na cidade: 1,77%, ou 129,9% a mais do que hoje.

A população nesta faixa etária em períodos aproximados era maior, mas não tanto. Em 1991, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), quem tinha entre 16 e 17 anos representava 3,37% da população, percentual que caiu para 3,09% em 2010, queda de 8,3% (dado mais recente do IBGE).

Presidente do PCdoB em Americana, Flávio Rogério Costa diz que há um distanciamento, não só dos jovens, por fatores como a crise e denúncias de corrupção. “Você acha que está protestando contra [ao não votar], na verdade acaba favorecendo esse tipo de coisa”, afirma.

Denis Dias, de 17 anos, teria de votar nas eleições, já que completa 18 anos antes do pleito. Mas diz que, mesmo que não fosse obrigado, iria votar este ano, para “ajudar o país.”

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