Padre Leandro é alvo de inquérito por suposto assédio

Polícia Civil de Americana e Araras apuram supostos casos de assédio sexual a menores e apropriação indébita denunciados em dossiê


O Padre Pedro Leandro Ricardo foi afastado do cargo de reitor da Basílica Santuário Santo Antônio de Pádua dias depois da instauração de dois inquéritos abertos pela Delegacia Seccional de Americana e pela Delegacia Central de Araras. O Padre Edmilson José da Silva foi designado como administrador paroquial da Basílica.

As investigações se baseiam em um dossiê anônimo, encaminhado ao Ministério Público no final do ano passado pelo gabinete da deputada estadual Leci Brandão (PC do B) e citam a participação do religioso em casos de assédio sexual a menores e apropriação indébita.

Foto: Arquivo / O Liberal
Advogado responsável pela defesa do Padre Leandro (foto), disse que vai provar a inocência dele

Segundo a assessoria da deputada, após análise, a decisão foi de remetê-lo ao Procurador-Geral de Justiça do Estado, Gianpaolo Smanio, por ter “prerrogativa de investigação”. O chefe do MP decidiu, no início do ano, enviar cópias às promotorias municipais, que solicitaram à Polícia Civil a abertura das investigações.

Em Americana, o inquérito será presidido pelo delegado José Luiz Joveli, assistente da Delegacia Seccional. Na última quinta-feira, ele solicitou a intimação das primeiras testemunhas e decretou sigilo no conteúdo até a conclusão das investigações. Há informações sobre, pelo menos, duas supostas vítimas de assédio na cidade.

Um padre ouvido pelo LIBERAL sob condição de anonimato afirmou que foi procurado por um rapaz, já maior de idade, que afirma ter sido assediado pelo padre quando era adolescente. A polícia investiga também um suposto caso de assédio a um adolescente em Americana.

No último sábado o padre Leandro pediu afastamento de suas funções alegando que precisava cuidar da saúde. A Diocese de Limeira, no entanto, publicou um decreto do bispo Dom Vilson Alves, que determinou a “suspensão de ordens por cautela” da presidência ou administração de qualquer sacramento.

Na prática, isso significa que apesar de ainda ser padre, não pode celebrar missas ou realizar qualquer outra atividade ligada à atividade, como confissões e batismos. O documento diz, ainda, que “fica sob a responsabilidade do referido padre, o ônus referente à sua defesa no âmbito da Justiça Civil”.

Defesa diz que provará inocência

O advogado Paulo Henrique de Moraes Sarmento, responsável pela defesa do Padre Leandro, disse que vai provar a inocência dele durante o inquérito policial. “Com provas documentais vamos deixar claro que nunca houve qualquer tipo de desvio de recurso na basílica. Sobre essa situação de assédio sexual, isso já foi objeto de investigação e o inquérito foi arquivado por falta de provas. Essa denúncia apócrifa só requenta os fatos”, disse.

Padre Leandro não concedeu entrevistas sobre as acusações. Em um vídeo distribuído a fiéis pelas redes sociais, ele pede ajuda para “combater a onda de boataria que vem tentando atacar a todo custo sua honra, fidelidade ao ministério presbiterial e amor indiviso pela Igreja Católica”.

O irmão do padre, Adalberto Ricardo, disse que as denúncias partem de pessoas “que querem a cadeira dele” e que o irmão falará com a imprensa no momento oportuno. “O material que foi parar no Ministério Público tem coisa desde quando meu irmão era pároco lá em Araras. Ficam puxando coisa lá de trás, falando em rede de pedofilia. Isso a gente já está acostumado. Ele ficou muito nervoso. É a reputação dele que está em jogo “, afirmou.

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