Nova realidade é constatada nas adoções em Americana

Cor e sexo da criança não são mais fatores considerados como determinantes para maioria dos casais que buscam realizar sonho de poder adotar um filho


A maioria dos casais candidatos à adoção em Americana não faz restrição quanto ao sexo da criança. A cor branca também deixou de ser determinante e passou a dividir preferência com a parda. A informação é de Cícero Baleeiro de Souza, coordenador da Vara da Infância e Juventude de Americana.

A mudança encurta a distância entre os futuros pais e as crianças que aguardam por um novo lar. Atualmente, 71 casais da cidade estão na fila da adoção. O tempo de espera varia. Quanto menor a idade da criança, maior será a demora. Em média, a espera por recém-nascidos ou crianças até 3 anos de idade pode chegar a sete anos.

Foto: Freeimages.com
Cor e sexo não são mais questões fundamentais na hora da adoção

“Vemos com bons olhos que há uma mudança considerável em relação à escolha por causa da cor e sexo. Se antes era nítida a preferência por crianças loiras e sexo feminino, hoje a maioria dos casais é indiferente a isso, inclusive os pretendentes estão se abrindo à possibilidade de adoção de crianças maiores e indiferentes à cor da pele e sexo da criança”, diz Cícero.

O comportamento local espelha o que já ocorre no país. Segundo o relatório de dados estatísticos do Cadastro Nacional de Adoção, dos 45.461 casais cadastrados no Brasil, apenas 15,17% afirmam aceitar somente crianças brancas.

Foto: Editoria de Arte / O Liberal
Fonte: Cadastro Nacional de Adoção

No Estado de São Paulo, onde 10.817 casais estão na fila, 15,85% declararam tal preferência. Do total de cadastrados no país, 82,69% aceitam crianças pardas, 55,77% crianças negras e 50,16% declaram indiferença à cor.

Adotar um recém-nascido também já não é o sonho da maioria dos casais. Segundo dados do relatório, no Estado 7,14% afirmam querer bebês de até 1 ano de idade. Os maiores – até 5 anos – também têm chances de conseguir uma família substituta, embora a grande maioria ainda sonhe em adotar uma criança com no máximo 3 anos. Dados estaduais do relatório de dados estatísticos mostram que 20,03% dos casais restringem a 3 anos a idade da criança que buscam; 17,44% aceitam adotar um filho de até 5 anos; 17,16% até 4 anos e 13,21% até 2 anos de idade.

No outro extremo da preferência estão as maiores. “Os adolescentes (maiores de 12 anos), crianças com problemas de saúde e grupos de irmãos ainda vivenciam dificuldades para conseguirem pretendentes”, informa Cícero.

Isso explica porque a conta não fecha. O número de crianças e adolescentes esperando por um lar no País (são 9.427 pessoas nessa situação) corresponde a pouco mais de 20% do total de casais na fila da adoção. E a maioria das crianças acolhidas nos abrigos tem acima de 5 anos (72,44%) e com grupos de irmãos (55,69%), características que vão na contramão do perfil idealizado pela maioria dos casais.

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