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Americana

Nardini desiste de pedido de recuperação judicial

Empresa de Americana não explicou no processo o motivo da tomada de decisão; dívida acumulada seria de R$ 61 milhões com credores, entre pessoas física e jurídica

Por Leonardo Oliveira

02 dez 2020 às 08:17 • Última atualização 02 dez 2020 às 09:39

Um mês depois de entrar com um pedido de recuperação judicial, a Indústrias Nardini desistiu da ação no último dia 21. Os motivos não foram explicados no documento anexado ao processo. Com isso, o juiz responsável pelo caso homologou a solicitação e julgou extinta a demanda, que tramitava na 4ª Vara Cível de Americana.

Em outubro, a tradicional fábrica de máquinas havia ingressado com a ação, alegando que a recuperação judicial era uma tentativa de viabilizar um plano para evitar a falência total. Documentos juntados ao processo, ao qual o LIBERAL teve acesso, apontam uma dívida de R$ 61 milhões com credores, entre pessoas física e jurídica.

Indústria apresenta dívidas trabalhistas, tributárias e com credores – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal

Já a Lista de Devedores da PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) mostra que a Nardini possui R$ 1,2 bilhão inscritos na dívida ativa – esses são débitos que ainda precisam ser quitados com a União. Os dados são abertos à consulta através do site www.listadevedores.pgfn.gov.br.

Desse total, destacam-se a dívida previdenciária, que é de R$ 314,7 milhões, e multas trabalhistas somadas em R$ 7 milhões. Ainda há R$ 849,7 milhões que são citados como débitos tributários.

A recuperação judicial é uma possibilidade jurídica usada por empresas para evitar a falência. Quando tem o pedido aceito, a companhia consegue um prazo para continuar funcionando enquanto negocia com os credores. A dívida fica congelada neste período.

No caso da Nardini, houve a tentativa por esse recurso e, no mês seguinte, a desistência. O LIBERAL entrou em contato com a defesa da empresa para saber os motivos que a levaram a abrir mão dessa possibilidade. Não houve manifestação até o fechamento desta edição.

Quando foi dada entrada no processo, os advogados da Nardini alegaram que a situação financeira da empresa era precária, mas ainda viável. “Apesar do enorme esforço dispendido para que o maior número de funcionários permanecesse ativo, atualmente com 286 (duzentos e oitenta seis) colaboradores, as dívidas das autoras aumentam a cada dia exponencialmente”, cita a empresa na ação.

A situação financeira e administrativa da empresa é alvo de discussão judicial há anos. Nos fóruns fiscais, cíveis e trabalhistas, há centenas de processos contra a Nardini.

Há acusação também de práticas irregulares na administração da empresa, o que envolveria, por exemplo, a criação de um grupo econômico fictício para manter as contas da indústria livres de bloqueios e fiscalizações enquanto o capital gira por firmas parceiras.

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