Na volta à Câmara, Meche fala sobre decepção

Vereador leu pronunciamento, não citou drogas e não quis dar entrevistas nesta quinta-feira; ele afirmou ainda durante sessão que trata uma depressão


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Meche quer usar seu “poder” para ajudar

Em seu retorno à câmara após três meses e meio, o vereador Marschelo Meche (PSDB) leu um pronunciamento em que disse ter consciência de que causou decepção. O tucano foi flagrado com cocaína em um motel de Santa Bárbara d’Oeste no dia 2 de junho.

“Tenho muita consciência de que isso tudo decepcionou muitas pessoas que me apoiavam, principalmente eu mesmo”, afirmou Meche na tribuna. Interpelado pelo LIBERAL, ele não quis dar entrevista. Pediu para a reportagem “deixar para a semana que vem.”

Em seu discurso, o parlamentar evitou falar das drogas e do episódio que antecedeu sua saída da câmara por três meses – nos quais ele recebeu seu salário integral, por ter apresentado atestados médicos em todas as sessões. “Não é preciso que eu repita os fatos que se tornaram públicos”, afirmou na tribuna, em seu tempo de explicação pessoal.

Em vários momentos, Meche falou em Deus e superação. Disse que não vai se “acovardar” nem “desistir”. O vereador afirma ter depressão – algo que há havia dito em entrevista ao LIBERAL ano passado.

Disse, no discurso de ontem na tribuna, que passou por “vários” tratamentos nas últimas semanas. “A vida vale a pena ser vivida e tenho que lutar por ela, não tenho direito de abandonar ou desistir”, disse o parlamentar tucano.

Meche disse ainda que pretende usar seu “poder” como político para ajudar pessoas que não têm os mesmos recursos mas sofrem com problemas iguais. O tucano ainda arriscou conselhos a quem está nessa situação: “Busquem a Deus, se abram, conversem, não guardem a dor, não deixe te sufocar. Não busque refúgios em nada que possa comprometer sua vida e a vida dos seus familiares”, disse o parlamentar.

Durante o tempo em que esteve ausente, Meche recebeu seu salário bruto integral de R$ 10.305,64 e a câmara ainda gastou R$ 21 mil para pagar suplentes. O parlamentar foi autor de um projeto – não aprovado – para reduzir pela metade o salário dos vereadores. Vereador, ao contrário de um cidadão comum, não precisa cumprir jornada nem provar que trabalha, só justificar as faltas em dia de sessão.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora