Mulheres encontram alternativas no empreendedorismo

Dificuldade em conciliar trabalhos com jornadas fixas e cuidado com filhos inspiram mulheres a buscar alternativas para novas fontes de renda


Creches de apenas meio período, dificuldade em conciliar horários fixos de trabalho com os cuidados com os filhos e a necessidade de trabalhar. São essas dificuldades que nas mãos de mulheres criativas acabam se transformando em ingredientes para soluções empreendedoras de fonte de renda.

Quando Viviane Soares Taliari, de 31 anos, descobriu que estava grávida de Lara, havia acabado de se mudar para Americana com o marido. O casal ainda estava em busca de trabalho e viveu meses no sufoco para pagar as contas.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Bidus “gourmet” que Viviane produz são entregues nas casas dos clientes e vendidos a diversos públicos

Durante um momento de desespero em que precisava comprar um remédio para a filha e não tinha condições, Viviane fez um desabafo em um grupo de mães no WhatsApp. Uma delas a procurou no privado e ofereceu ensinar-lhe a fabricação de “bidus”. Aos poucos, a atividade foi ganhando ares profissionais e Viviane hoje conseguiu mais uma fonte de renda para a família. O marido conseguiu um emprego e as coisas estão voltando para os eixos. A pequena já completou 1 ano e 7 meses.

Os bidus “gourmet” que ela produz são entregues nas casas dos clientes e vendidos a diversos públicos. A maioria dos clientes são mães, que compram os bidus para elas e para os filhos. Os produtos são feitos com frutas frescas e com água de coco. Viviane conta com apoio da mãe tanto na fabricação quanto nos cuidados com a Lara.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Paula e o filho Ian: professora faz garimpos e divulgação de peças por meio das redes sociais

“Quando você tem o bebê não consegue enxergar as possibilidades, fica tudo muito confuso. Sempre fui independente, trabalhei fora e não conseguia fazer mais nada. Mas eu me transformei completamente, a responsabilidade é outra, é para ela. Tudo que eu ganho é pra ela”, contou. Ela destacou que a Internet é uma grande aliada na divulgação de seu trabalho sem precisar sair de casa.

Quem também vê na Internet uma aliada para os negócios é Paula Cestari Maia, de 28 anos, moradora de Americana. Professora de inglês, ela sentiu que precisava de uma segunda fonte de renda. Com o apoio do marido e da família, que se dividem no cuidado do pequeno Ian, de 2 anos, ela empreendeu em uma área que sempre teve interesse – o brechó. Ela realiza garimpos e divulga as peças por meio das redes sociais.

“A maternidade foi essencial pra eu me tornar quem eu sou hoje. Era uma menina insegura, não botava fé no meu potencial, mas depois do Ian, percebi que você transcende”, disse Paula, que destacou a divisão de tarefas com o marido em casa como um fator essencial para conseguir lidar com a rotina intensa de dois trabalhos.

Rotina

A cabeleireira Bruna Rosa Mosna, de 30 anos, moradora de Santa Bárbara d’Oeste, divide nas redes sociais a correria de trabalhar após a maternidade. A página “Mamãe precisa trabalhar”, no Instagram, conta com mais de mil curtidas. Ela trabalhava em um bar, em horários que complicavam a rotina de cuidados com a filha Maitê, de 11 meses.

“Hoje estou dentro de um salão, faço meus horários, minha agenda, e consigo passar mais tempo com ela”, contou. “Quis muito (parar de trabalhar), mas a realidade não permitia que eu tomasse uma decisão dessa. Por causa de precisar mesmo, pagamos casa, carro, então aceitei que tinha que voltar a trabalhar”.

Grupo serve também de apoio

Um grupo no WhatsApp que reúne 170 mães de Americana e região tornou-se fonte de ajuda tanto na divulgação dos empreendimentos maternos quanto de apoio.

Criado inicialmente com o objetivo de ensinar o uso do “sling”, pano onde os bebês são enrolados para serem carregados junto ao corpo, permitindo mobilidade aos pais, o grupo “Carregadeiras” tornou-se uma verdadeira rede de empatia entre as mães.

“As mães também contam quando o filho está com febre, desabafam que elas não comeram, não dormiram. A maternidade não pode ser solidão, porque é muito difícil. O grupo de apoio é isso”, definiu a psicóloga e doula Mirsha Grissel Sañudo Uriarte, que criou o grupo.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!