06 de março de 2021 Atualizado 16:26

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Americana

MP cobra autoridades sobre situação da Represa de Salto Grande

Promotor recebeu denúncias sobre aumento nos aguapés e do despejo de esgoto na Represa de Salto Grande

Por Leonardo Oliveira

10 fev 2021 às 07:36 • Última atualização 10 fev 2021 às 10:16

O promotor de Justiça de Americana, Ivan Carneiro Castanheiro, enviou na semana passada um ofício para as autoridades cobrando um posicionamento sobre as recentes denúncias recebidas pelo MP (Ministério Público) da atual situação da Represa de Salto Grande, em Americana.

No mês passado, o representante do órgão estadual se reuniu com membros do G-6 (grupo formado por moradores das praias Dos Namorados e Azul) e ouviu reclamações sobre o aumento na presença de aguapés e sobre o despejo de esgoto nas águas da Represa de Salto Grande.

Plantas aquáticas tomaram conta do espelho d’água na represa – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

Depois de fazer a retirada mecânica das macrófitas no espelho d’água, a CPFL Ambiental havia anunciado para outubro do ano passado o rebaixamento do nível da represa, o que ajudaria a combater o surgimento dos aguapés.

A operação, no entanto, foi cancelada após um pedido da Prefeitura de Sumaré. O argumento é de que o procedimento causaria interrupções no abastecimento de água da cidade. Desde então a CPFL não anunciou uma nova data e parou de fazer as retiradas mecânicas, segundo versão dos membros do G-6.

Com isso, o espelho d’água aos poucos vai sendo tomado novamente pelas macrófitas. “Os aguapés tomaram conta do espelho d’água desde o Barco Escola até as comportas da usina hidroelétrica de Salto Grande. A quantidade aguapés vem se aumentando a cada dia, de maneira absurda”, disse Marcelo Masoca, morador da região e membro do G-6.

Os moradores também afirmaram ao promotor que as estações elevatórias não estão suportando a quantidade de esgoto que é gerada pelos condomínios residenciais próximos, causando o extravasamento para as águas da represa. “Virou um reservatório de esgoto, não um reservatório de água”, acrescenta Masoca.

Depois de tomar ciência das denúncias, o promotor enviou um ofício para a prefeitura pedindo uma vistoria sobre esses empreendimentos para checar a questão do despejo de esgoto e para a CPFL, questionando sobre o que já foi feito dentro do Plano de Manejo de Macrófitas e se o órgão pretende realizar o rebaixamento do nível da represa e quando.

As autoridades tem 30 dias para responder aos questionamentos do promotor. O próximo passo depois disso é tentar uma reunião com todos os municípios que jogam o esgoto na represa e tentar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).

Plantas aquáticas tomaram conta do espelho d´água na represa – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

“Se isso não acontecer, vamos ver em que nível a questão terá que ser judicializada, muito possivelmente vai ser. Não dá pra ficar aguardando indefinidamente uma situação que não vai melhorar por si só”, disse o promotor em entrevista ao LIBERAL.

O diretor-executivo da Agemcamp (Agência Metropolitana de Campinas), Benjamin Bill Vieira de Souza, deve ser o responsável por intermediar as tratativas entre as cidades da região.

“Assumi o compromisso com o doutor Ivan de promover uma reunião com representantes dos municípios que têm ligação direta com a represa, para que possamos retomar esse assunto, visando a recuperação deste manancial”, disse em nota enviada à reportagem.

Questionada pelo LIBERAL, a CPFL Renováveis informou que apresentará os esclarecimentos ao Ministério Público dentro do prazo estabelecido e que a retirada mecânica das macrófitas segue normalmente.

“Ressaltamos que a solução definitiva da situação só será possível por meio da implementação de políticas públicas que promovam a correção das deficiências do saneamento na bacia do rio Atibaia visando tratamento dos efluentes sanitários (esgoto) lançados nos cursos d’água que abastecem o reservatório, tendo em vista que a ocorrência de macrófitas é apenas um dos sintomas que refletem o alto índice de poluição das águas do rio Atibaia”, diz a nota.

Publicidade