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Em Americana

Motorista da Uber é sequestrado e assaltado por falsos passageiros

Homens com máscaras pediram corrida no Jardim Boer e anunciaram assalto; vítima disse que não aceitaria corrida se não fosse a pandemia

Por George Aravanis

04 jun 2020 às 21:08 • Última atualização 04 jun 2020 às 21:17

Um motorista da Uber foi assaltado, ameaçado e trancado no porta-malas do próprio carro por dois falsos passageiros, ao atender um pedido de corrida na noite desta quarta-feira (3), em Americana. Ele desconfia que a dupla fez um assalto enquanto o mantinha amarrado no veículo.

Os bandidos fugiram com cerca de R$ 300 e o deixaram na Vila Bertini, aproximadamente meia hora depois do sequestro.

Motorista de Uber pegou passageiros na Rua da Dignidade, no Jardim Boer, onde eles anunciaram o roubo – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

O profissional, de 48 anos, atendeu a um pedido de corrida pelo aplicativo no Jardim Boer. Ao chegar ao local, na Rua da Dignidade, dois rapazes de cerca de 20 anos, que usavam máscaras de proteção, estavam esperando.

Ele disse ao LIBERAL que, antes da pandemia do novo coronavírus, não aceitaria esse tipo de viagem justamente para evitar assaltos.

Mas, como o número de pedidos caiu muito desde o início da crise sanitária, mudou de postura. “Essa corrida aí, de pegar duas pessoas, dois homens, na rua, do nada, eu não pegava.”

Assim que entrou no banco de trás, a dupla anunciou o assalto e o mandou dirigir até uma rua deserta do mesmo bairro. O fizeram descer e ajoelhar. “Pensei que eles fossem me matar”, relatou o motorista.

Mas a dupla o vendou e amarrou suas mãos para trás com uma camiseta. Ele foi obrigado a entrar no porta-malas.

Em um momento, eles pararam o carro e, pelo que ouviu, o motorista acha que assaltaram alguém. Depois de correr muito com o carro, eles pararam o veículo, abriram o porta-malas, pediram a carteira e disseram que, se ele saísse dali, seria morto.

O motorista já havia conseguido se desamarrar para tirar o cartão de crédito da carteira durante o trajeto – ele escondeu o cartão, guardou a carteira de volta no bolso e se amarrou de novo para que os bandidos não percebessem. Ao ficar sozinho, empurrou o tampão, achou o próprio celular no veículo e chamou a polícia.

A Uber informou estar aliviada em saber que o motorista está em segurança e que lamenta que cidadãos que querem trabalhar sejam vítimas da violência.

A empresa informou que tem buscado, por meio de tecnologia, fazer da plataforma a mais segura possível, com ferramentas para proteção antes, durante e depois da viagem.  

“O aplicativo exige do usuário que quiser pagar somente em dinheiro que insira o CPF e data de nascimento, dados que são checados na base de dados do Serasa”.

Além disso, a Uber informou que utiliza no Brasil um recurso que usa algoritmos que aprendem de forma automatizada a partir dos dados e bloqueia as viagens consideradas potencialmente mais arriscadas, a menos que o usuário forneça detalhes adicionais de identificação.

“O aplicativo da Uber permite ainda que solicitações de viagens sejam canceladas por motoristas parceiros sinalizando motivo de segurança quando não se sentirem confortáveis.”

A empresa ainda informou que se houver uma parada longa e não prevista, pode checar o que aconteceu.

Há ainda um botão recursos de segurança no aplicativo, que permite ligar direto para a polícia em caso de risco, afirma a empresa.

Podcast Além da Capa
O novo coronavírus representa um desafio para a estrutura de saúde de Americana, assim como outros municípios da RPT (Região do Polo Têxtil), mas não é o primeiro a ser encarado. H1N1, dengue, malária, febre maculosa. Outras doenças também modificaram rotinas, exigiram cuidados além do trivial – ainda que não tenha havido quarentena, como agora – e servem de experiência para traçar paralelos com o atual cenário. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com a repórter Marina Zanaki, que assina uma série de reportagens sobre outras epidemias em Americana.