Moradores de Americana relatam falta de água há 5 dias

Reclamações acontecem em meio ao anúncio de que o DAE de Americana pediu aumento na tarifa de água


Proprietário de uma casa de repouso na Vila Santa Catarina, em Americana, Raphael De Paula Freitas conta que gastou mais de R$ 100 nesta terça-feira em água mineral para não deixar os 18 idosos que vivem no local sem banho e limpeza. O local está com as torneiras secas desde domingo, conta o proprietário.

Relatos semelhantes surgiram no Frezzarin e Ipiranga. Moradores afirmam que desde sexta-feira o abastecimento é interrompido diariamente, e em alguns casos só se escuta algo escorrendo pelos canos durante a madrugada nas residências.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
 Moradores afirmam que desde a última sexta-feira o abastecimento é interrompido diariamente em bairros de Americana

As queixas foram feitas nesta terça-feira, mesmo dia em que o LIBERAL revelou que o DAE (Departamento de Água e Esgoto) quer aumentar a tarifa de água – o pedido está em análise na Ares PCJ, agência reguladora da região.

Foi justamente isso que revoltou alguns dos moradores. “Ainda vem falar que vai aumentar o valor da água. Para aumentar tem que ter água na torneira”, reclama a dona de casa Lindaura Miranda Bortoletto, que vive no Ipiranga e afirma que desde sexta tem passado boa parte do dia sem água. “Domingo acabou umas 16h30 e voltou às 22 horas.”

Freitas, dono da casa de repouso, conta que a falta de água é comum no local, mas não por tanto tempo seguido. Segundo ele, desde domingo não sai uma gota da torneira. “Eu tenho 18 idosos aqui, sendo que quatro são acamados, alguns estão com febre”, conta.

Ele diz que o DAE não quis enviar um caminhão pipa gratuito para abastecer a casa de repouso, sob a justificativa de que não se trata de uma entidade filantrópica. “Qual a diferença de ser privada, sendo que eu atuo com alto risco que são idosos?”. Ele afirma que o departamento queria cobrar, mas ele diz ter achado um absurdo e recusou, já que, segundo afirma, das outras vezes o fornecimento foi gratuito.

O DAE foi questionado e informou que o proprietário iria pagar o valor do caminhão pipa em contas futuras. De acordo com a assessoria de imprensa da autarquia, em situações assim quem pede deve retirar a água, mas como se trata de uma entidade o DAE iria levar.

Porém, afirma o departamento, como o reservatório é elevado, seria preciso ter alguém para colocar a água na caixa. “A entidade ficou de retornar assim que conseguisse essa pessoa, no entanto, não retornou hoje, por isso, o caminhão não foi”.

Depois de receber a resposta do DAE, O LIBERAL não conseguiu mais contato com o dono da casa de repouso.

No Frezzarin, a manicure Rosevania Izidorio percebeu a falta d’água na sexta e, durante o dia, passa a seco. “Hoje [ontem] já vai para cinco dias que só vem água de madrugada”, afirma.

Questionado sobre os problemas no Frezzarin e Ipiranga e se os cortes têm afetado outras regiões, o DAE informou que estava levantando as informações e poderia se manifestar apenas hoje.

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