Meta da Itron é reduzir perdas de água pela metade em um ano

Empresa venceu licitação para controle e redução do que é perdido de água em reservatórios que atendem 18 bairros de Americana


Vencedora da licitação para controle e redução das perdas d’água nos reservatórios R10 e R11 de Americana, a empresa Itron Soluções Para Energia e Água espera reduzir o problema pela metade nos próximos 12 meses. A previsão é do diretor comercial Sandro Moretti, que afirma que a maior parte do problema é provocada por vazamentos na tubulação da cidade.

Com sede em Americana há quase 40 anos, a Itron assinou contrato com o DAE (Departamento de Água e Esgoto) no dia 1º de julho e assume o serviço nos próximos dias. Monitoramento online, fiscalização de ligações de água cortadas e pesquisa e localização de vazamentos estão entre os principais pontos do trabalho, que começa na quarta.

Os dois reservatórios envolvem, entre outros bairros, os jardins São Luiz, Helena, Boer I e II, Alvorada, Colina e Mirandola.

Foto: Divulgação
“Boa parte dessa perda é vinculada a vazamentos”, avalia Moretti

Desde quando a Itron tem sede em Americana?

Aqui em Americana estamos há 40 anos mais ou menos, mas a empresa em si está no Brasil há mais de 70. Hoje ela é norte-americana, mas é uma empresa que veio adquirindo outras. Então o nosso histórico no País vem de aquisições. Aqui em Americana antigamente a empresa chamava TecnoBrás.

Quais ações serão executadas para reduzir as perdas nos dois conjuntos de reservatórios?

Tem uma série de ações a serem tomadas que o próprio edital já solicita. Ele é focado em uma área específica da cidade, não é a cidade inteira. Ele é focado em dois conjuntos de reservatórios do DAE, que são o R10 e o R11. Esses reservatórios são responsáveis pelo abastecimento de 18 bairros da cidade. Em números gerais, Americana tem hoje uma perda de 48% de toda água que produz e distribui. De tudo que ela produz, 48% ela perde no meio do caminho. Ou porque tem algum vazamento, ou porque tem extravasamento no reservatório, ou porque não está sendo corretamente medido, ou está sendo roubado essa água de alguma maneira.

Na região que vocês vão atuar, qual o índice de perda d’água?

Nessa região, as perdas chegam a 72%. É a região mais complexa da cidade realmente, que mais se presta atenção.

A expectativa é que esse número caia para quanto?

Hoje, essa região tem uma perda de 1.016 litros por cada ligação de água por dia. O programa e a execução desses serviços têm o objetivo de buscar uma redução para 526 litros ligação/dia. Quase a metade. O contrato é de 12 meses.

Daquilo que vocês já conhecem da infraestrutura de Americana em termos de tubulações e instalações, quais devem ser os principais desafios para conseguir atingir essa redução?

A gente tem um diagnóstico da parte de medição para detecção de perdas. A gente tem toda a parte de monitoramento da entrada de água no sistema, então toda perda no reservatório vai ser monitorada. Tem uma parte de fiscalização das ligações que foram cortadas, que tem consumo nulo ou foram suprimidas. Qualquer ligação que tenha sido cortada por qualquer motivo a gente vai fiscalizar, para que ela não gere uma perda de água para o município. Vamos fazer toda uma medição online de todos os reservatórios, então qualquer variação de volume de água que estiver sendo consumida a gente consegue identificar e ter ações mais imediatas, por exemplo, num arrebentamento de tubulação. Vamos ter controle de perdas online, então qualquer anormalidade que exista no setor também vai ser indicada para uma reação imediata. Pesquisa e localização do vazamento também, que já existe no setor.

Qual a principal causa dessas perdas?

Boa parte dessa perda é vinculada a vazamentos. Tubulação ali já tem uma certa idade, sabemos que tem alguns vazamentos que a gente precisa localizar e corrigir. Temos um sistema de localização de novos rompimentos. Depois de fazer toda a verificação, qualquer novo rompimento vai ser identificado automaticamente. Tem uma parte mais técnica de modelagem hidráulica que vai levantar toda a rede de água, modelar com o que deveria ter de vazão e pressão em cada uma das regiões, e comparar esse modelamento com o que está acontecendo online. E qualquer alteração do modelo em relação à realidade também terá uma ação de fiscalização para ser executado. Nós vamos substituir alguns medidores. Colocar uma tecnologia de leitura automática para ter um perfil de consumo dessa região e poder melhor analisar o tipo de perda que está acontecendo, onde acontece, que horário. Isso tudo a gente vai ter o suporte de estar na região, com um atendimento muito rápido. A gente está em Americana, conhece a realidade, até por isso que a gente pôde fazer uma proposta bem competitiva.

O fato da cidade sofrer com falta d’água em diversos bairros, principalmente por problemas relacionados na tubulação, dificulta o trabalho de vocês?

É uma característica. Se você produz 100 litros de água e acaba chegando nas residências 28 litros de água só, é muito por conta dessa perda que está acontecendo no meio da distribuição. O projeto vem justamente para isso, para melhorar o abastecimento. Além de diminuir o custo da água que está sendo fornecida, já que você tem que produzir menos água para distribuir para o mesmo número de pessoas. O abastecimento fica mais constante.

Qual o valor do investimento?

R$ 1,243 milhão é o valor total do contrato. Os equipamentos ficam para a prefeitura, não são utilizados só para o projeto. São instalados e ficam para a cidade. Toda tecnologia que for colocada ficará à disposição do DAE.

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