Mais duas denúncias apontam abuso de padre, diz advogada

Profissional que já representa cinco pessoas vai pedir ampliação de investigação para Americana; padre está afastado desde o mês passado


Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
O padre Leandro, como é conhecido, é alvo de dois inquéritos abertos pela Polícia Civil, um em Americana e outro em Araras

A advogada Talitha Camargo da Fonseca diz que foi procurada por pais de dois adolescentes de Americana que também afirmam ter sido abusados sexualmente pelo padre Pedro Leandro Ricardo, ex-reitor da Basílica Santo Antônio de Pádua, em Americana. Talitha, que já representa cinco pessoas que acusam o religioso pelo mesmo crime em Araras, afirma que vai pedir ao MP (Ministério Público) a ampliação da investigação, com base em novos elementos. A advogada quer que sejam apurados novos fatos pelo inquérito policial em andamento, entre eles a possibilidade de outros abusos.

Talitha não quis revelar o que exatamente apresentará no pedido ao MP, em virtude do sigilo judicial que envolve o caso. A Promotoria, se aceitar o pedido, pode requisitar que a polícia apure os novos fatos ou fazer a investigação por conta própria.

A advogada foi contatada por telefone pelos pais das supostas vítimas de Americana, que são menores de 18 anos até hoje. Os abusos teriam acontecido depois que Leandro foi transferido para a cidade, no começo de 2013.

O padre Leandro, como é conhecido, é alvo de dois inquéritos abertos pela Polícia Civil, um em Americana e outro em Araras. Em ambos, as autoridades apuram se o sacerdote abusou sexualmente de meninos que eram coroinhas na igreja. Ele atuou em Araras antes de vir para sua cidade natal.

Em Americana, além de supostos abusos, ele é investigado por supostamente desviar dinheiro da igreja. Os inquéritos foram abertos em janeiro, após pedido do MP. A origem de tudo é uma denúncia anônima que relata vários episódios atribuídos ao padre – essas duas famílias que procuraram Talitha não estão relacionadas naquela denúncia, segundo a advogada.

Leandro está afastado de suas funções desde o mês passado, mas ainda é padre. Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo de Limeira e superior de Leandro, também é citado na denúncia anônima e passou a ser investigado pela polícia. As autoridades apuram se o bispo extorquiu padres e se acobertou atos de Leandro. Vilson continua no cargo. Além da polícia, a igreja também investiga os dois, numa apuração determinada pelo próprio Vaticano. Ambos se dizem inocentes.

Talitha representa outras pessoas, hoje jovens adultos, que dizem ter sido alvos de abuso sexual por parte do clérigo no começo dos anos 2000, em Araras, onde Leandro trabalhou antes de vir para Americana. Quatro deles já fizeram seus relatos à polícia nesta semana. Segundo os advogados das vítimas, o religioso ganhava a confiança dos meninos com presentes, aconselhamentos e se projetava como figura paterna.

A advogada preferiu não revelar nada do que aconteceu com as supostas novas vítimas que a procuraram depois que o caso ganhou repercussão. Ela ainda não representa nenhum deles oficialmente. “O próximo passo é encorajá-las”, afirma a advogada.

AJUDA. O advogado Roberto Tardelli, ex-promotor de justiça que ganhou notoriedade nacional após atuar no caso Suzane von Richthofen (condenada em 2006 pelo assassinato dos pais), vai ajudar no caso, segundo Talitha – o LIBERAL revelou ontem a possibilidade de Tardelli fazer parte da representação das vítimas.

O advogado do padre, Paulo Sarmento, afirma que Leandro vem sendo perseguido “por um grupo de desafetos” desde a época que estava em Araras. Segundo o advogado, pessoas estão sendo cooptadas para que façam denúncias contra seu cliente. O defensor de padre Leandro afirma que nunca houve assédio, abuso ou desvio de dinheiro.

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