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Americana

Maior parte dos acolhidos abandona abrigo e volta para a rua, diz secretário

Quase 300 andarilhos receberam acolhimento desde abril, em Americana, mas dependência fez a maioria desistir da ajuda

Por Rodrigo Alonso

12 jul 2020 às 08:44 • Última atualização 12 jul 2020 às 09:14

Moradores de rua passam por consulta em consultório improvisado em igreja em Americana - Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG

A maioria dos desabrigados acolhidos pela Prefeitura de Americana abandona o abrigo e volta para a rua. A informação é do secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Aílton Gonçalves.

Desde 7 de abril, a administração municipal tem um abrigo instalado de forma provisória na Igreja Presbiteriana Central. O espaço deve funcionar até o fim da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Aílton contou que, até a última quarta-feira, 238 andarilhos se hospedaram no local e, depois, foram embora. Em torno de 20 retornaram para a casa da família. Os outros, no entanto, preferiram voltar para a rua.

Um dos motivos é a dependência química. “A grande maioria deles é dependente químico, quase 100% deles. E essa dependência, uma hora ou outra, fala mais alto do que a ajuda que nós oferecemos”, lamenta o secretário.

Segundo ele, houve moradores que deixaram o abrigo logo após receberem o auxílio emergencial do governo federal e prometeram gastar tudo em droga. “Chegam a falar, de forma clara: ‘Eu vou sair porque vou torrar em crack’”, relata.

Não existe um prazo máximo de permanência no local. Contudo, de acordo com Aílton, a Secretaria de Assistência Social trabalha para que os acolhidos consigam construir uma vida fora do abrigo.

“A ação da equipe vai ser sempre fazer com que a pessoa saia do abrigo o mais rápido possível para tentar redirecionar sua vida, conseguir um trabalho, conseguir um local para ficar”.

Aílton apontou que o abrigo possui capacidade para 100 pessoas, mas o número de moradores chegou, no máximo, a 68. Na tarde da última quarta, havia 58.

Igreja Presbiteriana recebeu ao menos 238 moradores de rua até julho – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

“Aqui em Americana, hoje, as pessoas estão na rua porque querem, porque desejaram ficar. Porque eu tenho local, tenho espaço, tenho vaga e não consegui ocupar 100% dessas vagas”.

A Secretaria de Assistência Social disse oferecer acolhimento a todos os moradores de rua da cidade. Porém, nem todos aceitam a proposta.

“Infelizmente, as pessoas preferem não ir para lá, porque ir significa que tem de acordar às 6 da manhã, tomar café, tomar banho todo dia, trocar de roupa todo dia… Tem de obedecer algumas regras básicas”, afirma o secretário municipal.

Coordenado pela Associação Vinde à Luz, o abrigo conta com café da manhã, almoço às 11 horas, jantar às 19 horas e lanche noturno às 21 horas, além de chuveiros quentes e sanitários independentes. Os quartos são coletivos.

Homem recebe comida em abrigo montado na Igreja Presbiteriana de Americana – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

CONCENTRAÇÃO. Segundo a Secretaria de Assistência Social, o Centro é a região com maior presença de moradores de rua em Americana. Em contato com o LIBERAL, uma idosa reclamou da concentração de andarilhos na Praça 15 de Novembro, situada entre a Avenida Dr. Antônio Lobo e a Rua Dom Pedro II.

Ela contou que os desabrigados deixam a praça suja com restos de comida. A mulher, que costuma pegar ônibus naquele ponto, também afirmou ser abordada por mendigos e disse não se sentir segura no local.

A câmara aprovou, no último dia 2, um requerimento em que o vereador Léo da Padaria (PV) questiona a prefeitura sobre o assunto. “A parte dos fundos dos quiosques, entre a edificação e o viaduto Amadeu Elias, se tornou um grande banheiro a céu aberto”, argumenta o parlamentar.

De acordo com o secretário de Assistência Social, os frequentadores da praça são abordados quase todos os dias pelo serviço de acolhimento. A maioria passou pelo abrigo, mas preferiu voltar para a rua.

“Essas reclamações dos moradores têm chegado para a gente. Eu não tenho condições de encaminhar uma pessoa em situação de rua para o abrigo coercitivamente. Eu não posso fazer isso, eu não tenho força policial para isso e nem devo. É contra a lei”, diz Aílton.

Além da Capa
Totalmente paralisado na região desde o início da quarentena de combate ao novo coronavírus, o setor de eventos ainda está “no escuro” sobre quando as atividades poderão ser retomadas, ainda que de forma parcial. Além da indefinição, uma série de dificuldades surgiram por conta da situação. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com o repórter André Rossi sobre o panorama do segmento em Americana e região.