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APÓS COBRANÇA

Justiça Cível determina leilão do prédio da Nardini, em Americana, mas Vara do Trabalho tenta impedir venda

Decisão atende a uma ação movida pelo Senai por dívida de R$ 1 milhão; advogada de credores teme demissão em massa

Por Ana Carolina Leal

26 de maio de 2024, às 08h05 • Última atualização em 28 de maio de 2024, às 11h13

A 2ª Vara Cível de Americana determinou o leilão do prédio onde funciona a indústria Nardini, localizado na Vila Frezzarin, em decorrência de uma ação de cobrança movida pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

A dívida em questão, referente a contribuições adicionais, está avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão. Caso o leilão realmente ocorra, a Nardini deverá fechar as portas, o que causará o desemprego de ao menos 350 trabalhadores.

A decisão é do dia 27 de novembro de 2023 e o LIBERAL teve acesso a ela nesta semana. O processo tramita em segredo de Justiça.

Indústria Nardini, na Vila Frezzarin – Foto: Marcelo Rocha/Liberal

Na última quarta-feira (23), no entanto, a juíza da 1ª Vara do Trabalho de Americana, Ana Paula Alvarenga Martins, solicitou à Justiça Cível a suspensão da venda do imóvel – avaliado em R$ 115,9 milhões -, uma vez que o prédio está envolvido em um processo piloto de execuções trabalhistas.

Se a venda via leilão for mantida, a juíza pediu a penhora dos valores arrecadados, determinando que todo o montante seja transferido para a Justiça do Trabalho, dado que este crédito possui prioridade legal. Até esta sexta, o juiz da 2ª Vara Cível do município, Marcos Cosme Porto, ainda não havia se manifestado sobre o pedido.

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Keyla Caligher Neme Gazal, advogada que representa ao menos 200 trabalhadores em um processo trabalhista, argumenta que, apesar da legitimidade da ação do Senai, não se pode ignorar os 350 trabalhadores que a Nardini emprega. Ela teme uma demissão em massa.

“É uma decisão extremamente dura, que trará consequências irreparáveis para os funcionários. E essa atitude não solucionará a execução do Senai, pois todo o valor arrecadado na eventual arrematação do imóvel será destinado ao processo trabalhista, e o processo do Senai continuará ativo”, afirma.

A advogada também entrou com uma ação pedindo à Justiça Cível que habilite o crédito do Senai junto ao processo trabalhista.

A proposta é que, por meio dessa ação, o dinheiro arrecadado não só da Nardini, mas de grupos econômicos e sócios, possa ser usado para pagar todas as dívidas, evitando o fechamento da indústria e a demissão dos trabalhadores.

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Durante o processo, que se arrasta há anos, a Nardini chegou a oferecer a penhora de algumas máquinas para quitar a dívida com o Senai, mas a proposta foi recusada.

Em 18 de outubro de 2021, a Nardini tinha aproximadamente R$ 121 milhões em dívidas trabalhistas, envolvendo mais de 600 processos. Segundo a advogada, atualmente, esse valor deve estar em torno de R$ 100 milhões, considerando os pagamentos já realizados e as correções.

De acordo com Keyla, conforme a empresa arrecada dinheiro, ela apresenta uma lista com nomes de funcionários, oferecendo um deságio de 40%. Aqueles que aceitam recebem o pagamento à vista e quitam o processo. A maioria dos trabalhadores que entrou com ação continua na indústria.

A assessoria do Senai foi contatada pelo LIBERAL, mas comunicou que não iria se manifestar sobre o assunto. A reportagem também procurou pela advogada que representa a indústria Nardini, mas não teve retorno até a publicação desta matéria.

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Após a publicação da reportagem, na segunda-feira, a Nardini se posicionou sobre o assunto por meio de nota. Segue abaixo:

A direção da Indústrias Nardini S/A, de Americana, reiterou nesta segunda-feira (27/5) seu compromisso com todas as responsabilidades financeiras que a atual administração, que assumiu a tradicional e histórica empresa há apenas dois anos, tenha pela frente. Além disso, a diretoria tranquilizou os colaboradores, uma vez que o ritmo de produção é cada vez maior por conta da qualidade das máquinas produzidas pela Nardini. “Não apenas o Senai, mas vamos honrar todos os compromissos dentro de uma realidade viável, boa para todos os lados. Não imaginamos, em hipótese alguma, o leilão da nossa sede. Aventar o fechamento de nossas portas, como citou matéria de 26/5 do jornal O Liberal, é desmerecer todo o esforço que estamos fazendo desde que assumimos a empresa há pouco tempo”, diz o diretor-presidente, Renato Franchi. Tanto que a própria Justiça do Trabalho, através da magistrada Ana Paula Alvarenga, já solicitou a suspensão da venda do imóvel.

Renato Franchi lembra que, quando deixou a empresa, em 2015, eram alguns poucos processos trabalhistas em andamento. “Mas, no meu retorno, encontrei esse caos de processos, mas hoje o número é muito menor. Além do que, estamos nos esforçando para que não tenhamos mais processos, como já não estamos tendo”. O diretor-presidente da Nardini acrescenta: “No meu retorno tínhamos 340 colaboradores e hoje estamos com 420, um aumento de 23% no nosso quadro. É prova dupla de que o trabalhador quer estar aqui e que estamos em evolução”. Dentro da realidade econômica de Americana, a Nardini é hoje uma das maiores empregadoras diretas do município. Além disso, a empresa tinha R$ 121 milhões em dívidas trabalhistas em outubro de 2021, mas, com a atual gestão, já reduziu consideravelmente esse montante.

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