Impacto de rompimento seria sentido em cinco minutos; risco é descartado

Simulação reuniu cerca de 240 agentes públicos na manhã desta quarta; atividade teve início às 10 horas, com sirenes tocando


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Cinco minutos é o tempo que levaria para que os reflexos de um rompimento total da barragem do Salto Grande, em Americana, fossem sentidos em uma área de risco da empresa Papirus Indústria e Papel, de Limeira, um dos locais mais próximos à estrutura a ter concentração de pessoas. As autoridades descartam qualquer possibilidade de rompimento no local.

Foto: Marcelo Rocha-O Liberal (8)
Simulação de rompimento da barragem do Salto Grande reuniu 240 agentes públicos; risco é totalmente descartado

A informação consta no mapa de inundação disponibilizado pela Defesa Civil durante a simulação de rompimento realizada nesta quarta-feira. O documento aponta quanto tempo seria necessário para uma onda de ruptura chegar a 40 zonas afetadas em Americana, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Iracemápolis, Piracicaba e São Pedro.

Uma distância de um quilômetro separa a barragem da sede da Papirus. Como o terreno é desnivelado, apenas uma área específica, com aproximadamente 20 funcionários, seria atingida – não afetando o maior departamento, o de produção. No mesmo período de cinco minutos as dependências da Santista Work Solution seriam afetadas.

Durante a simulação a Papirus conseguiu deslocar os empregados até o ponto de salvamento em aproximadamente três minutos, conseguindo evitar fatalidades em caso de uma situação real de risco. “Foi muito proveitoso. Aconteceu exatamente conforme planejado, seguindo o roteiro”, disse o engenheiro de segurança e meio ambiente da empresa, José Eduardo Falcetti ao LIBERAL.

Residências do Vila Bela e do Zanaga estão mais próximas da barragem, mas o mapa não cita as edificações com o potencial de serem afetadas.

Condições como nivelamento do terreno e fluxo do rio influenciam a possibilidade ou não de danos nas localidades. “Em Americana a mancha atinge essencialmente a área industrial”, diz a capitã da Defesa Civil, Cíntia Oliveira.

Ela ressalta que as sirenes somente serão tocadas caso haja uma grande chance de rompimento e que as empresas saberão da possibilidade com antecedência para que realizem o deslocamento dos funcionários antes de a situação se tornar emergencial.

“Não rompe de uma hora para outra, vai apresentando sinais que são acompanhados pelo empreendedor e ele vai municiando o sistema local para que o município possa atuar de forma preventiva”, destaca.

A simulação reuniu cerca de 240 agentes públicos na manhã desta quarta. A atividade teve início as 10 horas, quando as sirenes começaram a ecoar nos 12 pontos de encontro e salvamento. A reportagem do LIBERAL acompanhou as atividades realizadas na Casa de Cultura Hermann Muller, no Carioba, onde foi montado um gabinete de crise e posto de comando para que as autoridades conduzissem as ações.

Após a sirene tocar os funcionários das empresas próximas se deslocaram até o ponto de encontro do Carioba, em frente da Casa Hermann. O trajeto entre as fábricas e o local de salvamento demorou menos de cinco minutos. Corpo de Bombeiros e Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) simularam salvamentos, fazendo a triagem de “feridos” e prestando os primeiros socorros.

“A gente está ao mesmo tempo treinando a população e anotando todas as possíveis intercorrências. O Objetivo agora é ajustar isso para que a gente possa aprimorar cada vez mais esse sistema preventivo”, afirmou a capitã.

SEM PERIGO. Em entrevista, o gerente de engenharia de manutenção da CPFL Renováveis, Bruno Monte, descartou qualquer possibilidade de rompimento da barragem do Salto Grande. “Não existe [a possibilidade]. A barragem de Americana é segura, hoje classificada como tipo ‘B’, que confirma que ela possui todas as suas instalações em perfeitas condições de segurança”.

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