Igreja colhe novos depoimentos contra padre Leandro

Supostas vítimas de Leandro Ricardo foram ouvidas nesta quarta-feira na Paróquia São Benedito de Assis, no Centro de Araras


Pessoas que acusam o padre Pedro Leandro Ricardo de abuso sexual e perseguição foram ouvidas nesta quarta-feira na Paróquia São Benedito de Assis, no Centro de Araras, em uma investigação da igreja. A informação foi confirmada por uma advogada que representa parte das pessoas e por um dos depoentes.

A advogada Talitha Camargo da Fonseca disse que foram oito depoimentos, entre eles os de vítimas que ainda não tinham relatado os episódios de violência à polícia. As narrativas foram ouvidas por dois sacerdotes durante a manhã e a tarde de ontem, em aproximadamente oito horas de trabalho.

Foto: Arquivo / O Liberal
Leandro trabalhou em Araras, onde teriam acontecido os abusos relatados ontem

Leandro, reitor afastado da Basílica de Americana, está fora de suas funções desde janeiro. Ele é investigado pela polícia e pela igreja por suposto abuso sexual de coroinhas e pessoas ligadas à instituição católica, desvio de dinheiro e perseguição a fiéis. Antes de chegar a Americana, em 2013, Leandro trabalhou em Araras, onde teriam acontecido os abusos relatados ontem aos padres que colheram os depoimentos. Ao menos quatro pessoas já depuseram à polícia de Araras relatando os abusos.

De acordo com a advogada Talitha Camargo da Fonseca, os depoimentos colhidos ontem fazem parte de um novo procedimento canônico de investigação aberto pela igreja. A assessoria de imprensa da Diocese de Limeira, porém, afirma que, se houve depoimentos, eles integram a investigação iniciada em janeiro pela própria Cúria acerca dos atos atribuídos ao padre. Quando a apuração, que é sigilosa, for concluída, o relatório será enviado ao Vaticano, afirma a Diocese.

Essa apuração é diversa da conduzida pelo bispo de Lorena, dom João Inácio Müller, que esteve em Limeira por designação do Vaticano. Aquela investigação, que além de Leandro também visava o bispo de Limeira, dom Vilson Dias de Oliveira, já foi concluída por dom João, segundo a Diocese.

José Eduardo Angelini Milani, de Americana, que acusa o padre de perseguição em Americana, foi um dos que depuseram ontem.

Os relatos devem continuar a ser ouvidos pelos padres na manhã desta quinta-feira. Ao menos mais cinco pessoas devem depor.

A defesa de Padre Leandro nega as acusações. O advogado do religioso, Paulo Sarmento, afirma que há um grupo criminoso por trás das denúncias. O defensor diz ter tido acesso a uma gravação em que uma das supostas vítimas chantageia uma pessoa para fazer acusações de crimes sexuais contra Leandro e contra o bispo de Limeira. O advogado disse inclusive que já pediu investigação para apurar estes fatos.

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