Idosos passam madrugada na fila à espera de encaixe

Primeira pessoa chegou às 3 horas no posto de saúde do Jardim São Paulo, em Americana, e conseguiu consulta só para março


Idosos de até 86 anos madrugaram em frente à unidade de saúde do Jardim São Paulo, em Americana, em busca de atendimento com uma clínica geral, mas foram embora sem conseguir um encaixe. O primeiro da fila chegou às 3 horas – o postinho abre às 7h30. Segundo duas pessoas que enfrentaram a espera, só é possível conseguir uma consulta no posto para março. A resposta da prefeitura diz que nunca ninguém reclamou da fila da madrugada.

Como a espera por uma consulta agendada pode levar quatro meses, idosos que precisam de uma nova receita para medicação ou que necessitam levar o resultado de um exame, por exemplo, tentam o encaixe. Eles aparecem sem consulta marcada na expectativa de que alguém com atendimento agendado falte e eles possam ser atendidos. Ontem, ninguém faltou.

O radialista Gusmão Agra, de 54 anos, chegou com a mãe, Áurea Agra, de 86, às 4 horas na fila. Já havia duas pessoas, que estavam lá desde as 3 horas. Áurea, que toma remédios de uso contínuo, precisava mostrar o resultado de um ultrassom em consulta anterior na rede pública. Às 7h30, depois de esperar três horas e meia, eles foram informados por um funcionário que as 16 pessoas com consultas marcadas para ontem compareceram. Sendo assim não seria possível, portanto, atender mais ninguém.

Foto: Divulgação
Idosos foram à unidade em busca de encaixe, mas consulta só em março de 2019

Para Agra, a situação é revoltante. “A saúde está completamente abandonada”, desabafou. Segundo ele, sete pessoas tentavam o encaixe. “Vamos pagar consulta, não tem o que fazer, quem pode vai lá e paga, quem não pode tem que esperar”, completou.

O aposentado Denir Francisco Mayer, de 75 anos, chegou às 3 horas. Era a quarta vez que tentava um encaixe. Com um problema de sangramento no intestino, ele também precisava mostrar o resultado de um exame – ele tem uma consulta marcada, mas só para 1º de março. Às 7h30, estava na fila ao lado de Agra, da mãe e dos outros que tentavam a sorte. Recebeu a informação de que não haveria encaixe porque ninguém faltou. Mesmo assim, ele insistiu e ficou no local.

Só conseguiu ser atendido porque abordou pessoalmente a médica quando ela saiu do consultório para ir até o balcão. Ele conta que, ao ver o exame, a profissional disse: “O senhor não podia passar desse dia.” Mayer lamentou a situação. “Das 3 às 7h30, você fica na calçada, chuva, sem banheiro para ir. É tudo pessoa de idade”, reclamou.

Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura informou que desconhece se é frequente que pacientes madruguem em frente aos postos. Afirmou que não houve nenhuma queixa direta sobre o assunto. A orientação da Secretaria de Saúde para quem precisa de um encaixe é comparecer à unidade no horário de abertura, às 7h30, para tentar ser atendido.

Sobre a demora para marcar consultas, a prefeitura informou que os prazos variam de unidade para unidade. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, a Secretaria de Saúde aguarda o trâmite interno de um concurso que foi solicitado pela pasta para preencher vagas de clínico geral, mas não estipulou datas.

Diante das reclamações, o vereador Wagner Malheiros (PDT) esteve no local para falar com os pacientes e vai elaborar um requerimento para questionar a Secretaria de Saúde sobre as providências imediatas a serem tomadas para sanar este tipo de problema.

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