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Notícias que inspiram

Gerações unidas pelo amor aos cães

A praça carinhosamente apelidada de “Encontro dos Cães” tem atrativos para os pets e reúne um grupo eclético de pessoas

Por Jucimara Lima

16 de maio de 2022, às 07h18 • Última atualização em 16 de maio de 2022, às 07h19

Imagine um espaço amplo, com árvores, sombras, cheio de alegria, sorrisos, brincadeiras e latidos. Não conhece nenhum lugar com essas características? Então, você precisa visitar a Praça Encontro dos Cães, localizada no Jardim São Pedro, em Americana, entre as ruas Pau-Brasil e Padre Manoel da Nóbrega.

Na verdade, segundo um grupo de moradores da região, oficialmente o local é só um espaço público, sem nome. Contudo, unidos pelo amor aos seus cães, eles decidiram melhorar o local mantendo a limpeza e enfeitando com pneus pintados e mais alguns atrativos para os pets.

Frequentadores do espaço se uniram para promover melhorias como limpeza e manutenção do local – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

Início. Waleson Ribeiro da Silva, de 28 anos, estudante e tutor das pets Frida e Raposa, foi um dos primeiros frequentadores e recorda o início de tudo. “Eu costumava sair com elas para passear e esse foi o lugar mais próximo e com maior espaço que encontrei para elas ficarem soltas e correrem um pouco. Aí, um dia conheci um cachorrinho e seu tutor, outro dia outro, e assim, o movimento foi crescendo até que se tornou um grupo, que apesar de parecer combinado surgiu de forma totalmente espontânea”.

Legado. Completamente coletivo, o movimento surgiu há cerca de um ano, atrai cada vez mais pessoas e tem até um grupo no WhatsApp.

“Esse é um espaço adaptado. Antes, era cheio de lixo. Pensamos: por que não melhorar o local onde passamos nosso tempo livre? As pessoas estavam sempre se esbarrando por aqui. Assim, juntos, começamos a promover as melhorias”, explica a jornalista Mariane Mirandola, de 32 anos, tutora da saudosa Lili, sua “cãopanheirinha” de vida, que faleceu poucos dias depois de nossa reportagem visitar o local.

Mesmo com a perda, Mariane promete que manterá o legado deixado pela cachorrinha que era adotada, estava com ela há nove anos e era a mais velha do grupo.

“Como toda matriarca, Lili nos deixou muitos ensinamentos. Eu aprendi com ela que a gente só chega no ápice da nossa missão quando insiste muito. Lili nunca desistiu de encontrar uma família. Foi maltratada nas ruas, passou fome, frio, sentiu muita dor, mas não desistiu e de tanto andar e insistir, ela me encontrou. Agora, na velhice ela também nunca desistiu. Independente do que estava sentindo, hora do passeio era hora do passeio. Ia devagar, sem pressa, mas chegava na pracinha e quando encontrava os seus amigos se animava de um jeito incrível”, recorda.

Completamente coletivo, o movimento surgiu há cerca de um ano – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

Laços. Apesar de ninguém se conhecer de antes, os cachorros uniram seus tutores e hoje tanto pets quanto humanos são amigos. Além disso, os frequentadores do local apontam outros benefícios do movimento, como o caso de Juliana Fontes, de 34 anos, engenheira agrônoma, tutora do Tobias, um vira-latas de dois anos e meio de pura energia.

“Para ele é muito bom socializar com outros cães, além desse contato com a natureza. Eles acabam ficando mais dóceis, então, foi excelente, e para mim também. Desde que o Tobias chegou, me fez ver a vida de outra forma, como encarar as coisas com mais leveza e principalmente curtir todos os momentos, que seja um simples passeio na praça”.

A presença física da Lili se findou por aqui, mas, o legado e seus ensinamentos são eternos e ficaram não só em mim como em todo mundo que pode conhecê-la, então, como Lili insistiu muito pra conseguir se sentir bem, todos nós seguiremos insistindo para termos esse espaço onde todo mundo pode brincar e se sentir bem”

Mariane Mirandola, tutora da cachorra Lili, que faleceu poucos dias depois da visita da reportagem à praça

Futuro. Para um breve futuro eles pretendem colocar mesinhas e bancos, que serão produzidas por um arquiteto frequentador do local, a partir de troncos de árvores. Além disso, estão em busca de conseguir uma iluminação adequada ao local.

“O amor pelos cães no uniu. Aqui não tinha probabilidade de ninguém se encontrar, todo mundo era muito diferente. Tem até gente que vem só para ver os cães, mesmo não tendo cachorros. Esse espaço é público, sempre pronto para agregar. A única coisa que a gente pede é para respeitar, levar o lixo embora, recolher as fezes do pet e não destruir o espaço”, finaliza Mariane. Quem quiser conhecer mais sobre eles, o Instagram é @encontrodoscaes_praca.

SUGIRA E COLABORE
Se você conhece uma boa história que todo mundo merece saber, conte para a gente. Ela pode virar uma reportagem no LIBERAL.

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