‘Gama fazia de conta que fiscalizava Área Azul’, diz Eraldo

Durante audiência realizada na câmara, autoridade de Trânsito de Americana disse que população reclama porque agora tem que pagar a tarifa


O secretário adjunto de Obras e autoridade de Trânsito de Americana, Eraldo Camargo, disse na noite desta segunda-feira que o motivo das reclamações sobre a nova Área Azul é que antes da concessão “a Gama fazia de conta que fiscalizava e o pessoal fazia de conta que pagava”.

“Então tudo mundo está reclamando por causa disso, que agora tem que pagar mesmo”, afirmou Eraldo logo após uma audiência pública realizada na câmara com vários episódios de bate-boca.

Questionado se os agentes faziam vistas grossas porque o sistema anterior, administrado pelo governo, era falho, Eraldo disse: “mais ou menos.”

A concessão da Área Azul mais que triplicou o número de vagas (de 600 para 2.020) e aumentou a fiscalização, já que agora dez agentes da Estapar, empresa que venceu a licitação, e um veículo com câmeras fazem rondas atrás de quem estacionou sem pagar. O preço, por exemplo, que tem sido um dos motivos das queixas dos motoristas (R$ 2,50 por hora), não mudou e isso é um exemplo de que agora o incômodo ocorre por causa da fiscalização, de acordo com o secretário. “Ninguém pagava e ninguém cobrava.”

No próprio edital de licitação, a prefeitura admitia que o sistema anterior, administrado pelo governo, era falho e sujeito a fraudes, já que muitas vezes o motorista não encontrava o talão para comprar e por isso a falta dele no painel não podia ser encarada como uma infração de trânsito. Mas até então, ninguém tinha admitido as vistas grossas publicamente.

A audiência reuniu cerca de 50 pessoas no plenário, número considerado baixo pelo vereador Marschelo Meche (PSDB), autor do requerimento para convocar o evento e presidente do encontro.

Apesar da pouca participação, o clima foi tenso. Houve vários bate-bocas. A fala de Eraldo foi interrompida diversas vezes por protestos da plateia, que sugeria, entre outras coisas, que ele pedisse as contas.

O presidente da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), Dimas Zulian, que chegou atrasado, também foi alvo de críticas. A Estapar não enviou representantes, o que também foi alvo de queixas.

Com os vereadores, não foi diferente. Em um momento, Odir Demarchi (PR) perguntou se Eraldo sabia quem estava satisfeito além dele próprio, da empresa e da Acia. Eraldo respondeu: “Eu estou feliz”. E completou que estava satisfeito porque foi levar a mãe ao médico e encontrou vaga, assim como quando precisou ir a um comércio. O secretário adjunto de Trânsito disse que é remota a possibilidade de reduzir os valores cobrados na Área Azul.

Ao ser questionado sobre o assunto, o diretor da Gama, Marcos Guilherme, disse que a fiscalização do sistema “foi ficando deficitário pelo fato de o contingente de servidoras ser insuficiente, pois a última contratação é da década de 90. “A função das monitoras é venda e fiscalização no sistema rotativo de Área Azul. As duas principais reclamações que tínhamos eram a ausência de monitoras e de vagas para estacionar”, disse, por meio de nota. Ele não entrou no mérito da fala de Eraldo.

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