‘Funcionário público tem de ser prioridade’

Não reeleito, deputado lamenta derrota de França e espera que Doria defenda o funcionalismo público


Dono de quase 57 mil votos, o deputado estadual americanense Chico Sardelli (PV) ficou de fora de mais um mandato nas eleições deste ano. Fiel apoiador de Márcio França (PSB) para o governo estadual, amargou uma segunda derrota neste segundo turno, e agora pensa com cautela sobre seu futuro na política. Para o Estado, ele acredita que João Doria (PSDB) não era a melhor opção, mas diz que torce pelo tucano e sugeriu em entrevista concedida ao LIBERAL que a prioridade seja cuidar dos funcionários públicos.

Um dia após o segundo turno, Chico recebeu a reportagem em seu escritório em Americana. Sem esconder a dupla frustração, ele disse que a derrota faz parte do jogo democrático e que ficou de fora por conta de um “tsunami” que tirou votos não só dele, mas também do conterrâneo Cauê Macris (PSDB): Janaína Paschoal (PSL), eleita com cerca de 20 mil votos só em Americana.

O deputado disse que o Estado perdeu ao não eleger França e disse que o candidato apoiado por ele fez campanha limpa, sem oportunismo e mentiras, algo que viu na campanha do adversário tucano.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Fiel apoiador de Márcio França (PSB) para o governo estadual, Sardelli amargou uma segunda derrota neste segundo turno, e agora pensa com cautela sobre seu futuro

O que podemos esperar de um governo do João Doria?
Eu confesso pra você que entendo que o melhor para São Paulo era o Márcio França. De qualquer forma, agora, como paulista e brasileiro, espero que ele possa fazer um bom mandato, dentro de tudo aquilo que ele se expôs a fazer durante todo o período eleitoral. Estou na torcida para que ele acerte.

Existe algum tipo de política que vinha sendo adotada pelos tucanos anteriores que ele deveria deixar de fazer? E outras que ele precisa fazer?
Acho que ele tem que ver, imediatamente, a questão do salário dos professores, dos agentes de segurança, as polícias. É uma bandeira que vi muito forte na campanha dele. Entendo que o funcionalismo público, aqueles da ponta, aqueles que lidam com a população, deva ser uma das bandeiras principais.

O senhor apoiou bastante o França, já trouxe ele para a região algumas vezes. Na sua opinião, o que o Estado perdeu ao não elegê-lo?
O Márcio tem uma visão municipalista, uma visão interiorana muito apurada. É só ver todos os recursos que a gente conseguiu para Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Hortolândia e vários outros municípios. Foram coisas consideráveis. Não tenho dúvida que uma visão mais ampla, aberta, das questões interioranas, seria um fator diferencial na eleição do França, já que em cinco meses ele fez muito.

O lema que mais se ouve nas eleições é “renovação”. O senhor enxerga que o eleitor paulista revelou certa incoerência ao eleger João Doria para o sétimo mandato seguido do PSDB?
A priori, sim. Mas efetivamente essa eleição acabou sendo contra o PT. Ninguém, na minha opinião, estava votando no PSDB. Na minha opinião, o voto estava sendo contra o PT. Tanto que se a gente ver os votos brancos e nulos no Estado foram muito maiores proporcionalmente que no Brasil. Aí vemos certa incoerência. Foi a escolha de um “antipetista”. Teve aí uma mentira contumaz, de que o França é PT, que não é verdade. Fui deputado, tive ligações com diversos partidos, faz parte do jogo político. Mas o Márcio na cidade dele foi eleito contra o PT. Em São Paulo, ele trabalhou apoiando a candidatura do Doria na cidade de São Paulo no compromisso dele cumprir o mandato inteiro. Entendo que essa questão foi determinante. Márcio foi um candidato que não foi oportunista. Ele teve oportunidade, mas em momento algum se aproveitou de outros candidatos para alavancar sua campanha. Talvez se tivesse feito, teria sido diferente. Mas jogou o jogo limpo, da verdade.

Na sua análise, esse rompimento do prefeito com o PSDB por conta dos apoios nas eleições, pode trazer reflexos negativos para cidade?
Não acredito. As divergências políticas fazem parte. Não concordar, faz parte do cenário político. Essa semana se explicitaram essas questões. Vejo que o Omar tem feito o possível e impossível para ser um bom prefeito. Logicamente, acordar todos os dias sabendo que se tem inúmeros problemas, não é fácil. Talvez tenha sido alguma palavra mal colocada. Todos nós somos humanos, gostamos e não gostamos. E talvez o prefeito tenha ouvido algo, se ofendido, e dado respostas mais duras. Mas foram colocações duras do PSDB também. Mas o tempo é senhor da razão. Tem que esperar a poeira baixar. E o que Omar precisar da minha ajuda, estarei à disposição.

O senhor não acha que podem colocar Americana “na geladeira”?
O Estado? De forma nenhuma. Americana arrecada muitos impostos que vão para o governo estadual e federal, e muito pouco volta. Americana tem o direito de brigar por esses recursos. Independente de cor ou credo político, o governador é eleito por aqueles que o queriam e também os que não o queriam e tem a obrigação de governar para todos. E tenho certeza que nenhum dos deputados fará nenhum tipo de boicote. Pelo contrário, pode ter a rusga, mas no final encontra-se um caminho. Americana não pode ser prejudicada por causa de uma discussão.

Depois de 20 anos, o senhor não conseguiu se eleger. Por que o senhor acha que isso ocorreu?
Eu entendo que foi um “tsunami eleitoral”. Os mais votados em Americana geralmente eram de Americana. No caso de estadual, sempre fui o mais votado aqui. Nessa eleição tivemos 20 mil votos para Janaína Paschoal (PSL), legítimos, democráticos, trabalharam por ela. Espero que faça um grande mandato, mas efetivamente falta um vínculo, um elo político com a cidade e a região. Não tenho dúvida que esse tsunami chamado Janaína, e principalmente chamado Jair Messias Bolsonaro (PSL), foi fato determinante. Fui o mais votado na última com cerca de 22 mil, o Cauê com um pouco menos, e nessa pode ver, eu tive 10 mil votos a menos e ele 10 mil votos a menos. Onde foram parar esses votos? Efetivamente, lá. Ficamos um pouco aquém. Esse tsunami atingiu o Estado inteiro, mas foi determinante para o tipo de campanha que eu estava fazendo, mais local. A gente tinha algumas pesquisas, e ela não aparecia nas pesquisas, foi mascarando até o último momento. Não quero criticar a eleição dela, ela tem um trabalho prestado, relevância no contexto político.

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