Filho faz filmes de cartas do pai

Um dos curtas produzidos por Marcelo Borelli foi postado no Facebook há um mês e superou 1,3 mi de visualizações


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Coisas simples do cotidiano, retratadas em cartas manuscritas pelo pai desde 1979 e endereçadas à família, foram roteirizadas e se transformaram em filmes pelas mãos do produtor Marcelo Borelli.

Foto: Arquivo - Pessoal
O banquinho’. Pai leu carta no casamento do filho

Já são cinco curtas dando vida às palavras do pai, Airton Borelli. O último deles, postado no Facebook no dia 10 de julho, já ultrapassa 1,3 milhão de visualizações.

“O banquinho” traz a carta recebida por Marcelo no dia de seu casamento, mas o relato extrapola os limites da família e passa a mensagem de amor e respeito para qualquer relação entre pai e filho. “As cartas do meu pai sempre foram assim. Abordam valores de família, coisas simples, que se aplicam à vida de todo mundo, e os filmes são uma forma de passar essas mensagens adiante”, diz Marcelo.

No total são 93 cartas, que foram digitalizadas e podem ser lidas no site cartaserecordacoes.com.br, que os filhos criaram há 10 anos como um presente de Dia dos Pais.

O que era para ser uma homenagem e um espaço para compartilhar com o mundo os manuscritos conservados ainda hoje pela família no caderno original foi além e acabou se transformando numa série de cinco curtas.

As gravações começaram em 2014. Em todos os filmes as cartas são encenadas por atores profissionais, que no final trazem imagens reais da família em seus momentos de convivência.

Em “O banquinho”, os cuidados com a produção incluem a contratação do maestro Ruriá Duprat para compor a trilha sonora e do ator Rodrigo Lombardi para a leitura.

Os curtas podem ser vistos no mesmo site das cartas, mas já foram parar também no cinema. A família surpreendeu o pai ao fechar uma sala para uma sessão privada com direito até a cartazes.

Valores. Segundo Marcelo e o irmão, Airton Borelli Junior, as cartas transparecem o homem simples e comprometido com a família que sempre foi o pai. Os irmãos contam que, embora tenha trabalhado muito, Airton sempre foi presente na vida dos filhos. Detalhes que fazem parte dessa relação aparecem nos curtas. O tabuleiro de xadrez em uma das cenas de “O banquinho” é o mesmo em que Marcelo aprendeu a jogar. “Todas os dias ele jogava pelo menos uma partida comigo”, lembra.

As cenas do filme “De Volta para o Futuro”, no mesmo curta, remetem às idas ao Cine Cacique, em Americana, na companhia do pai.

As cartas e filmes trazem ensinamentos e valores que o pai passou durante décadas de convivência e que agora eles tentam reproduzir com os filhos.

“Os filmes e as cartas funcionam como lembretes. Sempre assisto para me manter alinhado com as coisas que ele nos ensinou e assim ser para os meus filhos um pai igual ele foi para mim”, diz Marcelo.

Pai se emociona ao falar das cartas

Airton Borelli conta que o hábito de escrever as cartas surgiu por acaso, durante uma brincadeira com as filhas pequenas – além de Marcelo e Airton, ele é pai de Patrícia e Luciane – e que acabou originando a primeira delas, em 1979. Desde então, mantém o hábito de transpor para o papel os sentimentos que afloram em situações que mexem com a sua sensibilidade. As cartas fazem referência a acontecimentos pontuais – como a formatura e casamento dos filhos – e até a situações difíceis, como doenças.

Borelli, que está fora do País, se emociona ao falar das cartas e da maneira como os filhos tentam preservar as suas palavras. “Me emociono porque todos os momentos e situações descritos nas cartas voltam à mente quando falo sobre elas”.

Não era essa a sua intenção, mas ele diz que os manuscritos viraram um legado. “Daqui a duas ou três gerações, talvez ninguém mais se lembre de quem eu fui, mas as cartas e os vídeos continuarão aí para contar a nossa história”.

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