Filha de vítima pede mais segurança na João Abdalla

Em dezembro, balconista morreu em acidente em trecho problemático da Avenida Nicolau João Abdalla, em Americana


A dona de casa Larissa Maísa Ribeiro da Silva, de 19 anos, teve o final de ano marcado pela tristeza e pela revolta. Ela é filha da balconista Márcia Ribeiro da Silva, de 40 anos, que morreu no dia 16 de dezembro em um acidente de trânsito na Avenida Nicolau João Abdalla, em Americana.

Foto: Divulgação e Reprodução
Batida contra caminhão destruiu veículo Ford Ka dirigido por balconista

A tristeza está na falta da mãe, que teve o Ford Ka que dirigia atingido de frente por um caminhão. A revolta está na falta de respostas.

Ela cobrou, por exemplo, melhorias na movimentada avenida, que liga Americana a Paulínia e Limeira.

Larissa esteve com o marido no local do acidente e ficou indignada com a situação que encontrou – buracos e mato invadindo a faixa de rolamento. “Tivemos que andar a 20 quilômetros por hora”, relatou.

O trecho da avenida onde foi registrado o acidente ainda conta com pedaços do veículo dirigido pela vítima.

A reportagem esteve no local e constatou que ele fica em um declive entre duas curvas.

A visão é prejudicada por conta da topografia e da vegetação que toma conta de onde deveria ser o acostamento. Além disso, a presença de veículos em alta velocidade é constante – incluindo caminhões e ônibus.

Larissa contou que a mãe havia comprado o carro três dias antes e que isso representava a realização de um sonho.

Márcia dirigia para a igreja evangélica no bairro Montes Verdes, onde morava, para dar testemunho sobre a compra do veículo quando morreu, segundo a filha.

“Minha mãe tinha todo o cuidado, nunca andava correndo, o celular ficava dentro da bolsa. Cinco minutos antes do acidente ela tinha parado e ligado para o meu irmão pra avisar que já estava chegando em casa”, contou Larissa. “Meu filho de dois anos fica perguntando pela avó, nem sei como explicar o que aconteceu”, lamentou.

A dona de casa também questiona a demora na perícia e exame toxicológico do motorista do caminhão. Ela recebeu um prazo de 30 dias da Polícia Civil para que saiam os resultados.

A SSP (Secretaria Estadual de Segurança Pública) informou que o caso segue em investigação e que o toxicológico ainda não foi emitido. “Num caso desse devia ser mais rápido”, cobrou Larissa.

ABANDONADO. O motorista do caminhão, Cláudio Roberto Santos, garantiu que não havia ingerido nenhuma bebida alcoólica e que voltava de Paulínia quando o acidente ocorreu. “Ali não tem acostamento. É um ponto muito abandonado, tem cratera em cima de cratera”, apontou.

Ele contou que esta foi a primeira vez que esteve envolvido em um acidente nos 21 anos que trabalha como motorista, e lamentou o ocorrido. “Ela [Márcia] se perdeu no acostamento na curva e voltou na faixa da esquerda, a 12 metros de distância na minha frente. Não teve possibilidade de fazer nada”.

Em nota enviada ao LIBERAL, a Prefeitura de Americana garantiu que existe um projeto de melhorias para o local, mas que a execução depende de disponibilidade financeira. “A Secretaria de Obras, de qualquer forma, vai verificar o que já pode ser feito no local para melhorar a situação”, trouxe a nota.

Trecho de avenida foi alvo de cobranças

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Parte da Avenida Nicolau João Abdalla tem visibilidade prejudicada

Uma parte da Avenida Nicolau João Abdalla passou por duplicação e recapeamento em 2014, em parceria da prefeitura com a iniciativa privada, e teve investimentos de R$ 10 milhões.

Esse trecho, que compreende o fim da Rua Carioba até a passarela sobre a Rodovia Anhanguera (SP-330), segue em boas condições de tráfego. Contudo, o trecho no início do bairro Antônio Zanaga até o início da Estrada Ivo Macris é alvo de reclamações por parte da população e assunto na Câmara Municipal.

Em 2017, o secretário adjunto da Unidade de Transportes e Sistema Viário de Americana, Eraldo Camargo respondeu a um requerimento do vereador Thiago Martins (PV) sobre a avenida.

Na ocasião, ele havia informado que existia um planejamento para melhorias no pavimento e sinalização viária. Além disso, escreveu que já existia um projeto para término da duplicação em parceria com empresas da região.

Em janeiro de 2018, o vereador Gualter Amado (PRB) questionou o município sobre recapeamento e construção de calçadas no trecho que compreende o Centro Empresarial e Industrial Nove de Julho.

A prefeitura respondeu em ofício ao parlamentar que o serviço de tapa-buracos é feito periodicamente no local, e que o passeio público era de responsabilidade de um condomínio. “Porém, a prefeitura deverá executar as guias sarjetas”, trouxe a resposta da administração.

“Todo o dia tem carro com pneu estourado, correndo risco de outra colisão. Comigo mesmo nunca aconteceu, mas todo o dia pessoal pede ajuda”, disse o técnico em telecomunicações, José Mauro de Araújo, de 54 anos. Ele mora no bairro Montes Verdes, em Americana. m.z.

Batida contra caminhão destruiu veículo Ford Ka dirigido por balconista

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