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EVOLUÇÃO DA PANDEMIA

Faixa dos 50 anos passa a concentrar mortes pela Covid-19 em Americana

Grupo que começou a ser vacinado na última semana tem sido a principal vítima do coronavírus na cidade desde maio

Por João Colosalle e Marina Zanaki

20 jun 2021 às 07:40 • Última atualização 20 jun 2021 às 07:41

Público-alvo da nova etapa de imunização contra a Covid-19, a faixa etária dos 50 anos passou a concentrar as mortes pela doença em Americana. É o que mostra um levantamento exclusivo do LIBERAL em dados da Vigilância Epidemiológica do município.

A reportagem analisou a data de morte e a idade das 628 vítimas do coronavírus na cidade desde o início da pandemia. Os detalhes de cada caso fatal são divulgados diariamente em boletins da prefeitura, sem revelar a identidade dos pacientes.

Os dados permitem observar que a mudança no perfil das principais vítimas da Covid-19 teve início a partir do mês de maio, o que pode indicar um reflexo da vacinação, que começou pelos mais idosos em fevereiro.

Há até dois meses, por exemplo, os idosos dominavam as estatísticas fatais da pandemia. Nos dois piores meses da crise, em março e abril deste ano, das 207 vítimas do coronavírus, 132 eram pessoas com 60 anos ou mais, o que equivalia a 64% dos óbitos.

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No mês de maio, porém, o perfil começou a mudar. A morte entre idosos ainda continuou sendo predominante (40 das 76 registradas no mês), mas, pela primeira vez na pandemia, dentro de um quadro estatisticamente significativo, a faixa de 50 a 59 anos foi a que teve o maior número de vítimas.

Em maio, 25% das mortes ocorreram entre pessoas dentro dessa faixa etária, seguida pela de 60 a 69, que correspondia a 21% dos óbitos.

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Algo semelhante já havia ocorrido em novembro, mas com uma estatística relativamente baixa de mortes – naquele mês, do total de 13 óbitos, 5 (ou 38%) foram de pessoas com 50 a 59 anos, um perfil que se mostrou atípico e isolado, já que não se sustentou nos meses seguintes.

A tendência de que as principais vítimas da Covid-19 agora são pessoas mais novas encontra respaldo ainda nas estatísticas parciais do mês de junho, que já contabiliza 53 mortes, a quarta pior marca da pandemia. Até o dia 18, destas 53 vítimas, 18 tinham idade na faixa dos 50 anos, representando uma porção até maior (34%) do que a registrada em maio.

A mudança no perfil rompe com o padrão dos primeiros meses de pandemia. Entre março e setembro do ano passado, de 157 vítimas, 120 eram idosas e apenas 37 não idosas. Entre maio e junho deste ano, de 129 óbitos, 67 eram de pessoas com menos de 60 anos. Nos últimos meses, a média de idade das vítimas também tem caído. De 69 anos em fevereiro, caiu para 59 em junho.

O coronavírus se voltou contra uma faixa etária composta por cerca de 30 mil pessoas justamente quando a imunização a alcança. Na última semana, Americana e região deram início à vacinação de quem tem 50 a 55 anos.

Os efeitos de uma redução nos óbitos motivado pela imunização, porém, só devem ser sentidos em meses, já que a proteção depende de vacinas com doses com intervalo de ao menos 28 dias. No caso da vacina AstraZeneca, de Oxford, a maior eficácia só é alcançada em pouco mais de três meses.

Mulher é vacinada contra Covid-19 em Americana no último sábado – Foto: Ernesto Rodrigues/O Liberal

Apesar da evolução gradual e lenta dos benefícios da imunização, a análise dos dados do boletim da prefeitura já sugere que a vacinação tem começado a fazer efeito em relação à mortalidade nas faixas etárias mais altas.

A proporção de casos fatais teve redução significativa após o início da vacinação em pessoas com mais de 80 anos, por exemplo. Se antes elas respondiam por até 40% das mortes em Americana, desde março, não chegam a 20%. avanço.

Especialistas ouvidos pela reportagem confirmam que essa mudança no perfil de óbitos está associada ao avanço da imunização. Médica que atua na linha de frente em Americana, a infectologista Ártemis Kílaris disse que houve uma mudança também no perfil de pacientes internados.

“Hoje está sendo internado com Covid na faixa dos 30 aos 55 anos, é o que está predominando, e temos tido casos até pacientes de 20, 25 anos. Consequentemente, os óbitos são na faixa etária predominante, com certeza porque os mais velhos já foram vacinados e não estão tendo a doença, ou tendo mais leve e não necessitando de internação”, avaliou a médica.

Ala do Pronto-Atendimento do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi: unidade tem leitos lotados – Foto: Ernesto Rodrigues – O Liberal

Ela destacou que a presença de comorbidades também é importante para o desfecho do caso, interferindo no quadro clínico do paciente Covid.

Infectologista e membro do Observatório da PUC-Campinas, André Giglio Bueno citou estudos que apontam que a idade é o fator mais importante para desenvolvimento de gravidade na Covid.

“Não necessariamente uma pessoa mais jovem com comorbidades vai ter risco maior ou igual de pessoa um pouco mais velha, mas sem comorbidades. Então seria esse o perfil esperado. A primeira faixa etária que não tiver a proteção da vacina é a que vai dominar as internações e óbitos”, analisou.

Para ele, é possível que, com o avanço da imunização, haja uma nova mudança de padrão de mortes por Covid nos próximos meses.

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