Escâner corporal muda ‘perfil’ de apreensões no CDP de Americana

Confiscos de microcelulares com presos zeraram após a instalação do aparelho, em 2017


A presença do aparelho de escaneamento corporal no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana, usado na revista de visitantes, mudou o “perfil” dos objetos ilícitos apreendidos na unidade prisional. Instalado em outubro de 2017, o equipamento zerou a entrada de microcelulares – que havia disparado naquele ano. Por outro lado, após a instalação do equipamento foram detidas diversas pessoas tentando entrar com porções de droga escondidas na roupa ou no corpo.

Segundo levantamento feito pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) a pedido do LIBERAL, foram apreendidos 14 microcelulares e um celular entre janeiro e setembro de 2017. Nesse período, anterior à instalação do escâner corporal, nenhuma porção de droga foi encontrada com visitantes.

Foto: SAP / Divulgação
Aparelho de escâner cria modelo em três dimensões

Já no mesmo período de 2018 – ou seja, já com a presença do aparelho nas revistas – não houve nenhuma apreensão de celular. Contudo, foram 13 ocorrências envolvendo drogas entre janeiro e setembro de 2018.
Uma apreensão de microcelular foi registrada desde então. Uma idosa de 73 anos foi detida no dia 23 de dezembro tentando entrar com um aparelho dentro de um pote de hidratante, que seria entregue a seu neto.

Para o diretor técnico 3 do CDP de Americana, Jefferson Camilo, a mudança nas apreensões se explica pela possibilidade de “espalhar” as drogas pelo corpo em uma tentativa de burlar o equipamento. “O pessoal tenta entrar com droga porque vê maior facilidade em pulverizar o entorpecente em várias partes das vestimentas, o que já é mais difícil de conseguir com um celular. Mas mesmo assim conseguimos fazer apreensões de entorpecentes”, explicou o diretor.

Foto: SAP / Divulgação
Microcelular apreendido dentro de pote de hidratante em dezembro

Camilo avalia que as tentativas de entrada com droga dentro do CDP estão relacionadas a dívidas contraídas pelo detento com tráfico quando ainda estava em liberdade. Além disso, os entorpecentes são uma forma de conseguir levantar dinheiro dentro da unidade prisional.

Questionado se mesmo antes do equipamento ocorria a entrada de drogas no presídio, o diretor informou que “é difícil responder pois com o aparelho ficou melhor evidenciada a revista nos visitantes”.

Ele também destacou a padronização nas revistas com o uso do escâner corporal, mantendo a dignidade dos visitantes. Os aparelhos foram instalados em todas as unidades prisionais da RPT (Região do Polo Têxtil) e permitem a criação de um modelo perfeito em três dimensões da pessoa escaneada, identificando facilmente qualquer anomalia no corpo ou roupa do visitante.

A SAP informou que possui “tolerância zero” em relação à entrada de objetos ilícitos nas unidades prisionais, sejam eles celulares, entorpecentes ou armas. É instaurado procedimento apuratório e disciplinar quando o portador é conhecido. O caso é comunicado ao Juiz de Direito da Vara de Execuções Criminais e o preso é transferido para pavilhão disciplinar. Os objetos apreendidos são encaminhados à Polícia Civil para elaboração do boletim de ocorrência e instauração de Inquérito Policial.

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