Enriquecimento é técnica adotada para o bem-estar

Técnica incluiu um conjunto de procedimentos que visam o bem-estar físico e psicológico das espécies que estão em cativeiro


O enriquecimento do recinto ou do cardápio é um recurso adotado nos zoológicos que se preocupam com a qualidade de vida dos animais. Essa técnica incluiu um conjunto de procedimentos que visam o bem-estar físico e psicológico das espécies que estão em cativeiro.

A equipe de biólogos e veterinários do Parque Ecológico de Americana adota o enriquecimento para estimular os bichos e lhes proporcionar condições adequadas de vida, o mais próximo possível da que teriam no habitat natural. A bióloga Silvia Machado esclarece que existem quatro tipos de enriquecimento, o alimentar, ambiental, sensorial e comportamental, todos usados de maneiras diferentes. “Temos uma programação semanal de enriquecimento, todas as espécies têm alguma atividade diferente toda a semana”, observa.

No enriquecimento alimentar, as comidas são servidas congeladas em formato de picolé, colocados dentro de morangas ou cocos, penduradas em lugares altos, espalhadas pelo chão, espetadas ou amarradas em formato de móbile. Tudo para estimular a curiosidade e a caça do animal, mesmo que seja necessário “esconder” as refeições para estimular essa procura pela comida, característica da vida selvagem. Silvia explica que quando a intenção é deixar o recinto mais parecido com o habitat de cada indivíduo, é feito o enriquecimento ambiental. Os funcionários colocam troncos, cipós ou cordas para escalar, piscinas para banhos, árvores, flores e gramados diferentes para estimular a exploração.

Para evitar rotinas previsíveis, sem desafios ou aventuras, os bichos recebem brinquedos feitos especialmente para cada um, como caixas com buracos, grama, flores, bolas coloridas, brinquedos feitos com bucha e outros materiais caseiros, como parte do enriquecimento sensorial.

O enriquecimento comportamental visa estimular o instinto de sociedade e comportamento que o animal teria em vida livre. Assim, algumas espécies são mantidas juntas para interagirem, enquanto outros animais formam grupos, respeitando uma determinada hierarquia.

Silvia cita ainda que o uso de qualquer um desses métodos, semanalmente, é válido para o animal, “porque o objetivo é colocar o bicho em movimento, em ação, dar a ele estímulo para ser curioso, caçar, brincar e ser mais ativo”.

A bióloga também ressalta os benefícios dessas práticas, que aumentam a atividade no recinto, inclusive a amorosa, reduzem o estresse, as brigas com outros bichos e ainda os deixam mais à vontade com os olhares do público.

* Estagiária Maíra Torres, sob supervisão de Leslie Cia Silveira

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