Em uma semana, 25 presidiários revitalizam escola

Trabalho em Americana integra projeto do Estado que envolve capacitação dos detentos e remição de pena


Uma equipe de 25 presidiários em regime semiaberto do CR (Centro de Ressocialização) de Sumaré revitalizou a Escola Estadual Professora Anna Maria Lúcia de Nardo Moraes Barros, no Jardim Brasil, em Americana. O trabalho aconteceu na última semana de janeiro dentro do projeto “Escola + Bonita”, iniciativa das secretarias estaduais de Educação, Administração Penitenciária e de Desenvolvimento Econômico.

Ao todo, 2,1 mil escolas estaduais de São Paulo serão revitalizadas até 2020. Na região, também foi contemplada a escola Dr. Honorino Fabbri, em Hortolândia. Na unidade de Americana os presidiários pintaram muro, fachada, corredor, salas de aula, pátio e palco. Para a diretora Jamile Aparecida Saulino dos Santos, a experiência foi positiva.

Foto: Divulgação
Foram 25 presidiários envolvidos na pintura no Jd. Brasil

“Eles trabalharam muito bem. Deixaram a escola com outro visual e pronta para receber os alunos nesse início de ano letivo”. Segundo ela, a equipe terminou o trabalho no dia 31. As aulas recomeçaram no dia 1º de fevereiro. “Os alunos ficaram encantados com a nova aparência da escola. Agora estamos trabalhando com eles a importância de cuidarem do espaço e mantê-lo sempre assim, harmonioso”.

Na avaliação da diretora, iniciativas assim demonstram cuidado com o local de aprendizagem. Além da escola do Jardim Brasil, outra unidade estadual de Americana já havia sido contemplada com iniciativa parecida do CR. Foi a escola Professor Bento Penteado dos Santos, no Jardim Nossa Senhora Aparecida. Segundo o diretor do Centro de Ressocialização, Dalber Possato, esse caso foi uma iniciativa própria do local e envolveu pintura, limpeza jardinagem e pequenos reparos.

Possato informa que o trabalho prestado pelos presidiários sempre envolve locais públicos. Para o projeto “Escola + Bonita” ele informa que foram designados homens do semiaberto que estão sendo capacitados como pintores. O trabalho na escola Professora Anna Maria Lúcia de Nardo Moraes Barros serviu como aula prática. Durante o dia, os presidiários permaneciam trabalhando na escola com orientação de um instrutor do curso e depois voltavam ao CR.

Além de terem o certificado como pintores ao ganharem a liberdade, a atividade também funciona como remição de pena. A cada três dias trabalhados, os detentos podem reduzir um dia de pena. Outro benefício é que os presos que fazem esse tipo de atividade têm prioridade no encaminhamento para vagas de emprego em empresas parceiras do CR.

Na visão do diretor do Centro de Ressocialização, o mais importante, no entanto, é mostrar que os presidiários podem colaborar com a comunidade. “Estamos usando mão de obra de alguém que hoje está cumprindo pena para revitalizar um espaço público que atende ali centenas de pessoas. É importante mostrar que as pessoas em momento de recuperação como esse têm condições de oferecer algo positivo de volta à sociedade”.

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